Um pedaço de bolo de Santo Antônio para quem procura casamento

Abre a temporada de festas juninas a celebração do dia de Santo Antônio nesta sexta-feira, 13, um ícone da igreja católica detentor de inúmeras lendas urbanas, a mais conhecida de todas é a de santo casamenteiro. Inúmeras histórias foram contadas a reportagem do Primeira Página na manhã desta quinta-feira, 12, sobre a força que o santo já deu para o encontro matrimonial, durante a feitura do bolo realizado pela comunidade eclesiástica da igreja Santo Antônio na Vila Prado.
A coordenadora do Bolo de Santo Antônio, Aparecida Simões afirmou que todo anos ela escuta relatos das pessoas com a “graça alcançada” por ter conseguido um casamento ou um companheiro ou companheira para uma vida conjugal. “É muito emocionante perceber como as pessoas de fé conquistam suas graças e seus pedidos acabam sendo atendidos”, relatou.
Aparecida que está há dois anos na coordenação do tradicional bolo que é vendido todo dia 13 de junho na praça da igreja Santo Antônio, disse que faz parte dessa história há 30 anos desde quando foi instituída a festa. “Conheci casais que estão juntos, até hoje, por força do pedaço do bolo. Se conheceram através de um pedido para Santo Antônio”, revela.
Preservando a identidade para não ter “problema” com o filho uma senhora que está na equipe de 60 pessoas envolvidas na feitura do bolo, contou que um filho hoje com 35 anos tinha terminado com a namorada e estava “abandonado no amor”, há dois anos esteve na festa e comprou um pedaço do bolo. Hoje esta casado com a moça e vivendo um matrimônio harmoniosos e “feliz”, contou a senhora.
A reportagem insistiu para ela revelar ao menos o nome dela, mas assenhora que aparentava já ter os seus 60 anos não arredou o pé e disse: “ se meu filho souber que eu contei essa história pra você ele briga comigo”.
De acordo com o padre católico Márcio Gaido, que é o pároco da igreja, a expectativa é que 30 mil pessoas passem pela festa que inclui sete missas e duas bênçãos a primeira ás 6h30 com a benção do pão e às 8h30 o famoso bolo 154 metros que após a celebração é vendido à comunidade pelo valor de R$ 2,50 o pedaço e tem a verba revertida para os projetos sócias da igreja.
Na avaliação do padre Gaido, a simbologia do bolo se assemelha a questão do pão de Santo Antônio e a postura franciscana que ele tomou em vida distribuindo ou repartindo o alimento com os menos favorecidos. “É um principio de que quando se partilha nada falta, pois até sobra”, comentou.
Sobre o santo casamenteiro, o padre se investiu de uma postura politicamente correta e não quis dar ênfase ao folclore ou a lenda e optou em falar que é a fé das pessoas que proporciona o encontro que muitas vezes resulta em um matrimônio. “A fé é um grande mistério e é colocar um pedido ou uma súplica por trás disso denota muita fé”, relatou.
O Bolo de Santo Antônio em números expressivos por trás de sua feitura, cerca de 60 pessoas ficaram envolvidas nos últimos dois dias para a montagem da peça. Os 154 metros do confeito levou 600 quilos de farinha de trigo, outros 600 quilos de açúcar e 900 dúzias de ovos vindos de doação de pessoas e entidades de São Carlos. “Este ano comecei a arrecadas em fevereiro para que esta festa estivesse pronta”, afirmou Aparecida.
As celebrações da festa de santo Antônio começam às 6h30 com a primeira missa e outras celebrações se estendem durante todo o dia. O bolo começará a ser vendido às 8h30. A igreja vida situada da Avenida Sallum, na Vila Prado.
As Lendas…
Santo casamenteiro
Assim é invocado pelas moças que desejam casar e assim é lembrado pelo nosso folclore. Não se sabe qual a origem da devoção. Talvez se ligue a algum milagre feito pelo santo em favor das mulheres, por exemplo, quando fez um recém-nascido falar para defender a mãe acusada injustamente de infidelidade pelo pai.
Santo das coisas perdidas
Esta tradição é antiquíssima, encontrando-se menção dela no famoso responsório “Si quaeris miracula”, extraído do ofício rimado de Juliano de Espira. Popularmente o “Siquaeris” é mencionado como uma oração taumaturga para encontrar objetos perdidos. A crença pode estar ligada a episódios como este, da vida de Santo António. Quando ensinava teologia aos frades em Montpeilier, na França, um noviço fugiu da Ordem levando consigo o Saltério de Frei António, com preciosas anotações pessoais que utilizava nas suas lições.
Trezena
E uma “novena” de 13 dias lembrando a data da morte de Santo António. Também se lembra o dia 13 de cada mês, porque “Dia 13 não é dia de azar, é dia de Santo António”. Outros lembram Santo António nas quartas-feiras, dia em que foi sepultado.
Breve de S. Antônio
Consiste numa medalha ou imagem do Santo que se leva consigo, com esta sentença escrita no verso: “Ecce Crucem Domini, fugite partes adversão! Vicit Leo de Tribu Juda, radix David. Alleluia, alleluia!” (Eís a Cruz do Senhor, afastai-vos forças adversas! Venceu o Leão da tribo de Judá, da raiz de Davi. Aleluia, aleluia). Esta sentença teria sido revelada pelo Santo a uma senhora que estava possessa, a fim de ser por ela libertada. É uma devoção que remonta ao século 13.



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