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Um pedaço de bolo de Santo Antônio para quem procura casamento

12/06/2014 19h06 - Atualizado há 12 anos Publicado por: Redação
Um pedaço de bolo de Santo Antônio para quem procura casamento
Hever Costa Lima
Equipe formada por voluntários da paróquia de Santo Antônio na Vila Prado na feitura do bolo que será vendido na festa.

Abre a temporada de festas juninas a celebração do dia de Santo Antônio nesta sexta-feira, 13, um ícone da igreja católica detentor de inúmeras lendas urbanas, a mais conhecida de todas é a de santo casamenteiro. Inúmeras histórias foram contadas a reportagem do Primeira Página na manhã desta quinta-feira, 12, sobre a força que o santo já deu para o encontro matrimonial, durante a feitura do bolo realizado pela comunidade eclesiástica da igreja Santo Antônio na Vila Prado.

 

A coordenadora do Bolo de Santo Antônio, Aparecida Simões afirmou que todo anos ela escuta relatos das pessoas com a “graça alcançada” por ter conseguido um casamento ou um companheiro ou companheira para uma vida conjugal. “É muito emocionante perceber como as pessoas de fé conquistam suas graças e seus pedidos acabam sendo atendidos”, relatou.

Aparecida que está há dois anos na coordenação do tradicional bolo que é vendido todo dia 13 de junho na praça da igreja Santo Antônio, disse que faz parte dessa história há 30 anos desde quando foi instituída a festa.  “Conheci casais que estão juntos, até hoje, por força do pedaço do bolo. Se conheceram através de um pedido para Santo Antônio”, revela. 

Preservando a identidade para não ter “problema” com o filho uma senhora que está na equipe de 60 pessoas envolvidas na feitura do bolo, contou que um filho hoje com 35 anos tinha terminado com a namorada e estava “abandonado no amor”, há dois anos esteve na festa e comprou um pedaço do bolo. Hoje esta casado com a moça e vivendo um matrimônio harmoniosos e “feliz”, contou a senhora.

A reportagem insistiu para ela revelar ao menos o nome dela, mas assenhora que aparentava já ter os seus 60 anos não arredou o pé e disse: “ se meu filho souber que eu contei essa história pra você ele briga comigo”.

De acordo com o padre católico Márcio Gaido, que é o pároco da igreja, a expectativa é que  30 mil pessoas passem pela festa que inclui sete missas e duas bênçãos a primeira ás 6h30 com a benção do pão e às 8h30 o famoso bolo 154 metros que após a celebração é vendido à comunidade pelo valor de R$ 2,50 o pedaço e tem a verba revertida para os projetos sócias da igreja.

Na avaliação do padre Gaido, a simbologia do bolo se assemelha a questão do pão de Santo Antônio e a postura franciscana que ele tomou em vida distribuindo ou repartindo o alimento com os menos favorecidos. “É um principio de que quando se partilha nada falta, pois até sobra”, comentou.

Sobre o santo casamenteiro, o padre se investiu de uma postura politicamente correta e não quis dar ênfase ao folclore ou a lenda e optou em falar que é a fé das pessoas que proporciona o encontro que muitas vezes resulta em um matrimônio. “A fé é um grande mistério e é colocar um pedido ou uma súplica por trás disso denota  muita fé”, relatou.

O Bolo de Santo Antônio em números expressivos por trás de sua feitura, cerca de 60 pessoas ficaram envolvidas nos últimos dois dias para a montagem da peça. Os 154 metros do confeito levou 600 quilos de farinha de trigo, outros 600 quilos de açúcar e 900 dúzias de ovos vindos de doação de pessoas e entidades de São Carlos. “Este ano comecei a arrecadas em fevereiro para que esta festa estivesse pronta”, afirmou Aparecida.

As celebrações da festa de santo Antônio começam às 6h30 com a primeira missa e outras celebrações se estendem durante todo o dia. O bolo começará a ser vendido às 8h30. A igreja vida situada da Avenida Sallum, na Vila Prado. 

 

As Lendas…

 

Santo casamenteiro

Assim é invocado pelas moças que desejam casar e assim é lembrado pelo nosso folclore. Não se sabe qual a origem da devoção. Talvez se ligue a algum milagre feito pelo santo em favor das mulheres, por exemplo, quando fez um recém-nascido falar para defender a mãe acusada injustamente de infidelidade pelo pai.

 

Santo das coisas perdidas

Esta tradição é antiquíssima, encontrando-se menção dela no famoso responsório “Si quaeris miracula”, extraído do ofício rimado de Juliano de Espira. Popularmente o “Siquaeris” é mencionado como uma oração taumaturga para encontrar objetos perdidos. A crença pode estar ligada a episódios como este, da vida de Santo António. Quando ensinava teologia aos frades em Montpeilier, na França, um noviço fugiu da Ordem levando consigo o Saltério de Frei António, com preciosas anotações pessoais que utilizava nas suas lições.

 

Trezena

E uma “novena” de 13 dias lembrando a data da morte de Santo António. Também se lembra o dia 13 de cada mês, porque “Dia 13 não é dia de azar, é dia de Santo António”. Outros lembram Santo António nas quartas-feiras, dia em que foi sepultado.

 

Breve de S. Antônio

 

Consiste numa medalha ou imagem do Santo que se leva consigo, com esta sentença escrita no verso: “Ecce Crucem Domini, fugite partes adversão! Vicit Leo de Tribu Juda, radix David. Alleluia, alleluia!” (Eís a Cruz do Senhor, afastai-vos forças adversas! Venceu o Leão da tribo de Judá, da raiz de Davi. Aleluia, aleluia). Esta sentença teria sido revelada pelo Santo a uma senhora que estava possessa, a fim de ser por ela libertada. É uma devoção que remonta ao século 13.

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