Sem-teto: Falta de orientação gera conflito e desespero

Quando a polícia ocupou o espaço dos barracos dos sem-teto na manhã de ontem, famílias ficaram nervosas e começaram a pedir a presença de responsáveis pela Secretaria de Cidadania e Assistência Social. “Não saí para trabalhar na coleta da laranja porque não sabia direito o que ia acontecer. Agora, vem a polícia e a assistência não está aqui para orientar a gente”, reclamou Suellen Rogéria Pereira.
“Moro em São Carlos faz um ano. Vim de São Bernardo e ninguém da assistência social fez o atendimento”, desabafou Altair Donizetti da Silva, que também estava na ocupação.
Gleice Pereira Serafim também reclamou. “Falaram que a assistente social, antes da desocupação, conversaria com cada família, mas isso não aconteceu”.
Depois de duas horas do início da desocupação, uma equipe da Cidadania apareceu no bairro. A assistente Maria Isabel Garbine reafirmou que houve o cadastramento das famílias e que uma decisão sobre o encaminhamento delas tratava-se de uma avaliação particular. “Vamos avaliar cada caso individualmente para, depois, decidirmos o melhor encaminhamento”.
A diretora da secretaria de Cidadania, Lúcia Reali, reafirmou que a Cidadania tem acompanhado a situação das pessoas que ocuparam o terreno da Prefeitura e que os casos não atendidos foram encaminhados ontem à secretária Wiviani Spaziani Tiberti. “A secretaria faz uma avaliação minuciosa de cada caso. O que queremos é ajudar. As pessoas que não foram atendidas serão conduzidas à Cidadania para o levantamento da situação”, explicou.
Lúcia explicou que um dos benefícios oferecidos pela Prefeitura é o aluguel social, que consiste no pagamento de R$ 140 por integrante da família. O benefício, concedido por seis meses, pode chegar a R$ 622.
TRANQUILA
O major da PM, Valdemir Guimarães Dias, considerou que a ação de desocupação ocorreu dentro do planejado. “Utilizamos o efetivo que trabalha no setor administrativo e policiais que estavam de folga. Antes da desocupação, estive na área, conversei com os moradores e detectei que a ação seria pacífica, com algumas atitudes isoladas. Considero que a desocupação ocorreu tranquilamente”, acrescentou Dias.
“Aqui não tem bandido. É gente trabalhadora que luta por um ideal, que é a casa própria. Conversamos com os moradores e mostramos a importância de uma desocupação na boa, sem problema. Vou para a casa de um parente e não vou desistir de ter a minha casa”, disse a trabalhadora rural Adriana Fátima Maschio.



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