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Projeto social leva alimento a moradores de rua

16/06/2014 14h13 - Atualizado há 12 anos Publicado por: Redação
Projeto social leva alimento a moradores de rua

Marcos Escrivani

Um sábado ensolarado. O que sugere? Passeio no shopping center? Um churrasco com a família? Ir a um clube? Uma viagem? Enfim, opções de lazer não faltam. Mas um grupo de aproximadamente 22 pessoas optou por praticar um ato de solidariedade.

Todos os finais de semana, há 2 anos e meio, o Projeto Sopão, vinculado a igreja Assembleia de Deus Madureira percorre as praças levando alimento e conforto a aproximadamente 50 moradores de rua. Às quintas-feiras, nesta época de inverno, existe também o “Resgate da Madrugada”, quanto são levados cobertores e leite quente aqueles que circulam pelas ruas de São Carlos.

“Queremos praticar o amor. São vidas em situação triste. Reunimos famílias e procuramos oferecer pelo menos um prato de comida e auxílio para que eles possam se reintegrar à sociedade. Nosso retorno é que eles se sintam confortados e se recuperem”, disse o pastor Ismael da Silva.

 

DOR NA PELE

Rute Maria de Oliveira Alves, 39 anos, dona de casa, 3 filhos. Seu marido, João Bosco Alves. Hoje, uma família feliz. Ela é uma das líderes do Projeto Sopão e participa todos os finais de semana desta atividade solidária.

Conhecida como Missionária Rutinha, ela se emociona. “Já fui moradora de rua. Eu e meu marido. Já fui dependente (de drogas). Hoje tenho uma família. Marido e filhos. Acredito que agora chegou o momento de eu ajudar a resgatar essas pessoas. Ajudar esses seres humanos”, disse Rutinha.

Ao lado de 21 voluntários, a missionária diz orgulhosa que todos os finais de semana visitam praticamente todas as praças de São Carlos levando alimentos a aproximadamente 50 moradores de rua. “Conseguimos reintegrar 35 à sociedade”, diz, orgulhosa. “A cada mês estamos em uma praça diferente levando sopa, carinho, conforto e a palavra de Deus”, disse.

 

RETORNO

A cada frase Rutinha não esconde sua emoção. Seus olhos lacrimejam. Motivos, garante, não falta. “Passei tudo isso na pele. É doloroso. É difícil. Todos os voluntários não ganham nada. É por puro afeto e amor ao próximo. Quando ajudamos alguém, nosso retorno é a felicidade, e uma grande paz de espírito em saber que levamos alimento e carinho àqueles que precisam”, disse.

 

A CADA AÇÃO, 40 LITROS DE SOPA

Todos os finais de semana, os voluntários do Projeto Sopão produzem 40 litros de sopa. São 30 pacotes quilos de macarrão, 10 quilos de carne e meia caixa de legumes. Além disso são levados refrigerantes, utensílios descartáveis, toalhas e uma panela industrial.

“O gasto mensal chega a R$ 2 mil e dinheiro é conseguido junto aos voluntários”, explicou Rutinha. “Fazemos isso com muito carinho e buscando sempre ajudar ao próximo”, garantiu.

 

“ME SINTO BEM, SÃO MEUS AMIGOS E ME AJUDAM”

Paulo Vitor Miranda, 37 anos, é um morador de rua. Sem apoio da família, saiu de casa 14 anos. “Estou nesta vida há 23 anos”, disse o morador de rua.

Sem ter onde morar, passou por clínicas para tentar se recuperar. Mas quando saia, retornava às ruas. “Não tinha onde ir. Fui excluído pela minha família”, lamenta.

 

Agora, Paulo conta que encontrou nos voluntários do Projeto Sopão um novo motivo para renovar a sua esperança. “Eles são maravilhosos. São meus amigos. Me ajudam e me dão alimento. Sinto carinho e conforto e agora espero uma oportunidade para sair desta vida. Tenho vontade de mudar”, finalizou Paulo.

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