Planalto aposta em novo pacote de obras
Ao comandar uma ampla reunião no fim de semana no Palácio da Alvorada com os principais ministros e dirigentes de bancos estatais, a presidente Dilma Rousseff tenta deixar para trás uma agenda negativa pela qual atravessa desde o início do ano.
Na sexta-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou pela primeira vez publicamente, em um encontro com petistas de São Paulo, que a sua sucessora crie fatos positivos em seu governo de forma a abrir uma saída para a crise política que se arrasta desde a posse. Aliados do Congresso também cobram de Dilma uma agenda para reanimar a economia.
A aposta de Dilma para corrigir o rumo do governo e destravar os investimentos está em um novo pacote de concessões na área de infraestrutura.
O plano é oferecer para a iniciativa privada até quatro novos trechos de rodovias e três aeroportos, além de ferrovias e portos. A maior parte dos projetos está na gaveta do governo desde o ano passado.
As estradas federais que já foram alvos de estudos pela iniciativa privada e pelo governo e que devem ir a leilão são a BR-163, entre o Mato Grosso e o Pará; a BR-364, que segue de Goiás para Minas Gerais; a BR-364, a partir de Mato Grosso até Goiás; e um eixo no Paraná, ligando as BRs-476, 153, 282 e 480. Essas concessões, somadas à da Ponte Rio-Niterói, já realizada, somam 2.625 quilômetros de rodovias. Com prazo de 30 anos, devem atrair investimentos de R$ 17,8 bilhões. A característica comum a elas é privilegiar rotas de escoamento para o agronegócio. “Somos defensores dessas concessões. Onde as obras são feitas pelo setor publico é uma tristeza, não conseguem andar”, comentou o senador Blairo Maggi (PR-MT).
No setor aeroportuário, o governo promete colocar na mesa de negociações os aeroportos de Salvador, Florianópolis e Porto Alegre, como já havia informado o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. O objetivo é atrair novos operadores internacionais e incentivar a formação de consórcios.
O setor ferroviário revela uma das principais mudanças de postura do governo. Conforme mostrou reportagem do Estado na semana passada, a proposta analisada é fazer um leilão para entregar à iniciativa privada dois trechos recém-construídos da Ferrovia Norte-Sul. A estatal Valec acaba de concluir uma malha de 855 km da ferrovia, entre Porto Nacional (TO) a Anápolis (GO). Até o início do ano que vem, uma extensão de 669 km da Norte-Sul também estará pronta, ligando Ouro Verde de Goiás (GO) a Estrela d’Oeste (SP).
A proposta de outorga da ferrovia é defendida pelo Ministério da Fazenda, por conta do potencial de arrecadação que promete. Avalia-se que apenas um dos trechos da Norte-Sul teria capacidade de movimentar cerca de R$ 3 bilhões em outorga, com concessão de 30 anos.
Reunião – Entre os ministros que estiveram com Dilma ontem (25) no Palácio da Alvorada estavam Aloizio Mercadante (Casa Civil), Joaquim Levy (Fazenda), Kátia Abreu (Agricultura), Eduardo Braga (Minas e Energia), Nelson Barbosa (Planejamento), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Antonio Carlos Rodrigues (Transportes) e Edinho Silva (Comunicação Social). Participaram da reunião ainda o vice-presidente de infraestrutura do Banco do Brasil, César Borges, e a presidente da Caixa, Miriam Belchior. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.



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