Economista aprova primeiro ano de Governo Lula
Quanto ao desempenho de Tarcísio de Freitas, ele vê avanços nas privatizações, mas critica desempenho na educação e no combate à pobreza

“Os ventos mudaram, porém a Petrobras mostrou inteligência para se adaptar paulatinamente e buscar ajustes”
“Chamou a atenção o ritmo de leilões realizados (em São Paulo), com 80 leilões que significaram mais de R$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura”
“Tudo em São Carlos (indústria, comércio, agricultura e os variados serviços – como, por exemplo, o do setor imobiliário) precisa estar vinculado economicamente ao desenvolvimento do nosso ecossistema de ciência e tecnologia”
Para o economista e professor da UFSCar, Luiz Fernando Paulillo, o primeiro ano da gestão do presidente Lula foi positivo. Ele destaca a aprovação do arcabouço fiscal, da reforma tributária e da retomada da confiança do mercado. Quanto ao desempenho do governador paulista, Tarcísio de Freitas, ele vê avanços nas privatizações, mas faz sérias críticas ao seu desempenho na educação e no combate à pobreza. Quanto a São Carlos, ele dá uma dica: a cidade vai retomar seu ciclo de desenvolvimento quando conseguir plugar todos os setores econômicos ao DNA tecnológico do Município.
PRIMEIRA PÁGINA – Como foi o primeiro ano de Lula no governo? Haddad surpreendeu positivamente? o que representam o arcabouço fiscal e a reforma tributária dentro deste contexto?
LUIZ FERNANDO PAULILLO – Foi positivo. O arcabouço fiscal veio com uma inovação importante, mostrando que a receita importa tanto quanto o custeio para ajustar a macroeconomia. Isso mostrou que o teto de gastos – regra que limita o crescimento de grande parte das despesas da União à inflação – não foi o fim da história! O arcabouço fiscal aprovado veio para mostrar que é possível trabalhar diferentemente, prevendo aumento de despesas atrelado à alta na arrecadação pública. Lembre-se que, nos 3 primeiros meses, uma pequena parte do mercado ficou receoso. Só que logo isso passou e mesmo essa parte do mercado entendeu e apoiou. Isso trouxe confiança, que é fundamental na macroeconomia. Logo depois, a reforma tributária avançou rápido. São as boas notícias de 2023. O restante foi construído no meio dessa confiança que ficou. Inflação terminou no controle e dentro da meta, o PIB cresceu mais que a expectativa inicial do ano, a balança comercial bateu novo recorde e até o dólar fechou abaixo de 5 reais.
PP- O Governo Bolsonaro em quatro anos não conseguiu reduzir o valor do diesel. Como em menos de seis meses o governo Lula o fez? Incompetência da gestão Bolsonaro? Competência da gestão Lula ou os ventos mudaram?
PAULILLO – Ambos. Os ventos mudaram, porém a Petrobras mostrou inteligência para se adaptar paulatinamente e buscar ajustes. Esses ajustes resultaram de muitas análises dos fundamentos dos mercados externo e interno frente à estratégia comercial da Petrobras, implementada em maio de 2023. A Petrobras mudou sua política de preços em maio e deixou de considerar apenas a paridade com o preço internacional na sua estratégia.
PP – Como o senhor viu o primeiro ano de Tarcísio de Freitas como governador paulista na economia? Ele apenas seguiu o que a herança tucana deixou de legado ou inovou em alguma coisa? O senhor acha que ele conseguirá levar a cabo a política de privatizações? Isso será bom para o Estado?
PAULILLO – Chamou a atenção o ritmo de leilões realizados, com 80 leilões que significaram mais de R$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura. Mas eu acho que não foi bem no setor da educação e também com ações rasas nas medidas de combate à fome e à pobreza e na geração de renda para a população mais pobre.
PP – São Carlos está ficando para trás de Araraquara e Rio Claro nos repasses de ICMS e outros impostos. O setor imobiliário está bombando novamente e a indústria ainda responde por grande parte do PIB local. O que falta para São Carlos dar um novo salto de desenvolvimento em 2024?
PAULILLO – Vou repetir o que venho falando nos últimos 10 anos. Tudo em São Carlos (indústria, comércio, agricultura e os variados serviços – como, por exemplo, o do setor imobiliário) precisa estar vinculado economicamente ao desenvolvimento do nosso ecossistema de ciência e tecnologia, da educação, das inovações (na indústria, nas start ups, na inteligência artificial, nas universidades, etc). Trata-se do DNA do município. Ele já está definido. A economia local precisa entender que, potencializando articulações e ações neste campo, não ficará para trás em nada da economia regional (como em repasses de ICMS e outros impostos). Não precisamos copiar nenhum município. São Carlos é diferente por ser do campo da tecnologia, das universidades, da pesquisa & desenvolvimento.



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