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Sindicalista teme fechamento da Tecumseh

Vanderlei Strano denuncia falta de transparência da direção da companhia e alerta que crise pode afetar a economia de São Carlos

23/04/2024 23h57 - Atualizado há 2 anos Publicado por: Redação
Sindicalista teme fechamento da Tecumseh Divulgação/STMSC

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté, Vanderlei Strano, afirmou ontem, em entrevista exclusiva ao PRIMEIRA PÁGINA, que teme o encerramento das atividades da Tecumseh do Brasil, empresa que funciona em São Carlos há 51 anos.

“Vou ser sincero, isso (o fechamento da Tecumseh) não me passava pela cabeça. Mas agora tenho medo, sim, pois trabalho há 30 anos na Tecumseh, tenho toda minha vida profissional ligada à empresas e é uma empresa que foi muito importante para São Carlos. São 1.700 empregos diretos e outros milhares que movimentam toda a economia de São Carlos”, destacou Strano.

Ele ressalta que a empresa não age com transparência com o sindicato e a sociedade. Ele revela que a Tecumseh está mergulhada numa enorme crise. Segundo ele, em dezembro de 2023, a empresa teve suas contas bancárias bloqueadas por conta de dívidas com a TMT Motoco do Brasil, fábrica da Região Sul do Brasil e demitiu 90 trabalhadores.

Segundo Strano, com capacidade de fabricar 60 mil compressores/dia, a empresa produz atualmente apenas 7.000. Segundo ele, a empresa está desorganizada em sua administração e prejudicando os trabalhadores. Segundo ele, por falta de matérias primas muitas vezes os trabalhadores são dispensados do seus turnos de trabalho e depois a empresa quer obrigá-los a trabalhar aos sábados.

O sindicalista relata que a Tecumseh, por iniciativa própria, mudou seu portfólio, paralisando a produção das linhas de compressores herméticos para geladeiras, focando sua prioridade na produção da linha voltada para abastecer aparelhos de ar condicionado e unidades condensadoras, voltadas para balcões frigoríficos e refrigeração comercial.

MANIFESTAÇÃO E RESERVA DE MERCADO

Em 2012, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, os metalúrgicos paulistas reuniram cerca de 5 mil trabalhadores na Avenida São Carlos para reivindicar que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) feita pelo governo federal à indústria do País seja acompanhada de contrapartidas como índice mínimo de conteúdo nacional.

O objetivo é acabar com as “linhas produtivas ocas” que causam a desindustrialização do Brasil.  Eles participaram de uma passeata na avenida São Carlos até o Mercado Municipal.

Segundo o Dieese, entre 2002 e 2012, a importação de peças cresceu 658,6%, enquanto que as vendas de eletrodomésticos aumentaram 63,1%. A linha branca foi invadida por produtos chineses.

A cidade de São Carlos foi escolhida para dar início a esta campanha, que seguirá por todo Brasil, por ser um importante polo de fornecedores de peças para a linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar etc) e que empregava 12.500 trabalhadores em cerca de 300 empresas.

A luta travada pelos metalúrgicos deram resultados. Houve negociação com o governo federal e com a Suframa, que administra a Zona Franca de Manaus, e devido à prioridade da presidente Dilma com a indústria nacional, foi firmado um acordo que garante reserva de mercado a Tecumseh, que fornece 40% dos compressores de todos os aparelhos de ar condicionado modelo Split. Em 2012, a Tecumseh era a única fabricante deste modelo de compressor do Ocidente e esta reserva de mercado garante a empresa ativa até hoje.

7.400 EMPREGOS EM 2005

A empresa, que chegou a gerar 7.400 empregos em 2005. Porém, fatores como a explosão dos preços das commodities, como aço, cobre e componentes fundidos, além da política cambial desfavorável, levaram a companhia a um declínio. A crise financeira mundial deflagrada a partir de 2008 forçou a redução de 4.000 postos de trabalho.

A Tecumseh do Brasil nasceu em 1973, com o principal objetivo de fornecer compressores herméticos para as geladeiras Clímax, da Família Pereira Lopes. Em 1984, a  companhia norte-americanaTecumseh Products Company assume o controle acionário da empresa. Em 1999, a Tecumseh incorpora a Compela Componentes Elétricos Ltda. e início da produção de componentes elétricos e eletrônicos em São Carlos.

FUSÃO COM ATLAS E MUELLER

Em 2015, houve a fusão da Tecumseh do Brasil com duas empresas – a Mueller Industries e a Atlas Holding. A transação envolveu, à época, US$ 123 milhões. A fábrica mantinha, então, 2.700 trabalhadores.

As operações da Mueller Industries estão localizadas em todos os Estados Unidos, no Canadá, México, Grã-Bretanha e China. A Atlas Holding é um conglomerado de 16 empresas com mais de 100 operações por diversos países.

 

OUTRO LADO

Multinacional nega fechamento e confirma investimentos

O relações públicas da Tecumseh do Brasil, Max Galvão, negou qualquer possibilidade de a empresa encerrar suas atividades em São Carlos e ressaltou que os investimentos divulgados no ano passado no montante de R$ 75 milhões estão mantidos. Ele afirmou que a mudança de portfólio se deve a estratégias de mercado e que as interrupções na produção se deveram a problemas pontuais na fundição e falta de componentes para os compressores.

Galvão disse ainda que há uma semana, em 17 de abril, o presidente mundial do grupo, Ricardo Maciel esteve em São Carlos, comemorando o fato de que a unidade de São Carlos é a maior do grupo e representa 60% da produção global da companhia. “O mercado tem altos e baixos, mas temos hoje 1.500 empregos nas duas plantas de São Carlos e pretendemos manter nossos colaboradores”, disse ele.

Quanto aos projetos do Governo Lula voltados para a retomada da indústria, ele afirmou que a empresa está buscando conseguir linhas de financiamento do BNDES para o desenvolvimento de novos produtos em parcerias com as universidades e a Embrapii.

 

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