Saque-aniversário do FGTS pode alavancar R$ 100 bi em crédito

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia,
Waldery Rodrigues, disse nesta quarta-feira, 4, que até R$ 100 bilhões em
crédito poderão ser destravados nos próximos dois anos com base nas garantias
do saque-aniversário do FGTS.
“O saque aniversário já tem mais de dois milhões de interessados e pode
chegar a um valor de 10 milhões de cotistas interessados. Pode criar um
segmento de recebíveis ligados ao FGTS extremamente importante. Nós estimamos
preliminarmente algo em torno de R$ 100 bilhões em créditos a serem
implementados em um ou dois anos associados a recebíveis ligados ao saque
aniversário. Pode alongar-se um pouco mais, mas trabalhamos com horizonte de
dois anos”, disse.
Segundo Waldery, medidas tomadas pelo Banco Central ligadas ao consignados
“também vão implicar em efeitos positivos sobre o crédito”. Como
mostrou em fevereiro o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo
Estado, os trabalhadores da iniciativa privada poderão antecipar os valores do
saque-aniversário do FGTS com crédito mais barato. O governo previa concluir em
dois meses a regulamentação da modalidade de empréstimo consignado que terá os
resgates anuais como garantia
O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida,
disse à época esperar que o novo produto provoque “um pulo” no
crédito consignado.
O saque-aniversário do FGTS foi criado em 2019 e permite ao trabalhador sacar
anualmente uma parte de seu fundo de garantia, de acordo com o mês em que
nasceu. Os primeiros resgates começarão a ser feitos em abril de 2020. Só os
trabalhadores que aderirem a essa modalidade serão beneficiados – e poderão
desistir após dois anos. Quem não fizer nada permanecerá com o saque-rescisão,
com resgate de todo o saldo do FGTS em caso de demissão sem justa causa.
O consignado do FGTS funcionará de maneira semelhante a uma antecipação do
Imposto de
Renda ou do 13º salário, modalidades já oferecidas atualmente pelos bancos. A
diferença é que os trabalhadores poderão antecipar os saques de FGTS previstos
para dois anos (período em que a permanência na modalidade é garantida) ou até
mais tempo – neste caso, sujeitos a uma taxa de juros um pouco maior.
A intenção do governo é dar ao trabalhador a opção de colocar no bolso os
valores do saque-aniversário antes de chegar a sua data de resgate do dinheiro.
O governo estima que a taxa de juros deve ficar abaixo de 2% ao mês.
Hoje a modalidade mais vantajosa de crédito consignado é a do servidor público,
com juro de 1,4% ao mês em média. Mesmo essa opção tem riscos: o funcionário
pode falecer ou se divorciar – nas duas situações, o pagamento de pensão
comprometeria uma parcela da renda, reduzindo a margem para o empréstimo.



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