Relação capital-trabalho será diferente após pandemia, afirma ex-diretor

O advogado e ex-diretor da Tecumseh do Brasil Ltda., Antônio Sasso Garcia Filho, fala com exclusividade a nossa reportagem sobre a situação do trabalho em nosso País. Ele comenta sobre o futuro das relações de trabalho e do home office. Comenta também sobre a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e por fim sobre o desemprego.
Jornal Primeira Página: Na sua opinião como será no futuro, o trabalho, as suas relações e formas de trabalho, após a pandemia?
Sasso: Vai haver uma maior valorização dos empregos. De fato, foi necessária a ocorrência de uma epidemia de proporções globais (pandemia) para que muitos de nós começássemos a valorizar os nossos empregos!!! E também a dar valor a quem nos paga, reconhecendo que o empregador está usando praticamente todas as ferramentas legais de que dispõe, para continuar a manter empregos e evitar demissões! O empregador, por outro lado, reafirmou o seu papel social e intensificou o entendimento de que quanto mais empregos forem mantidos, mais rápida será a retomada.
Jornal Primeira Página: O home office irá continuar como uma forma de trabalho das empresas?
Sasso: Mas não há dúvidas de que a dinâmica do trabalho passará por várias mudanças e quebra de paradigmas. Por exemplo, os custos com viagens e deslocamentos tendem a cair, porque as reuniões virtuais se mostraram eficazes. O teletrabalho também é uma realidade que veio para ficar. Os modelos de ensino à distância deverão passar por um crescimento expressivo, o que é bom no sentido de democratizar e baratear o aprendizado. A inserção de mais tecnologia na vida das pessoas (físicas e jurídicas) será uma constante e a sociedade, como um todo, precisa se preparar melhor para facilitar a inclusão digital (tarefa não apenas das empresas, mas também dos governos e dos trabalhadores).
Jornal Primeira Página: Como será a volta dos trabalhadores? Será diferente?
Sasso: A volta às atividades será permeada por um certo grau de ansiedade. Por exemplo, existe apreensão entre os trabalhadores quanto à manutenção de seus empregos. Entre os empresários, a preocupação consiste em saber como será a retomada econômica.
Jornal Primeira Página: Na sua opinião, teremos uma nova CLT para um mundo renovado com a pandemia.
Sasso: Não acho que seja necessária uma nova CLT. Na realidade, a legislação trabalhista no Brasil repousa sobre dois grandes eixos: o artigo 7º. da Constituição Federal de 1988 e a própria CLT. Mas há, também, inúmeras leis avulsas que já se incumbem de alterar a legislação, atualizando-a de acordo com a evolução da sociedade e dos fatos. Ademais, recentemente passamos por uma intensa reforma nas leis trabalhistas. Isso quer dizer que a legislação trabalhista brasileira já vem sofrendo modulações para tornar a relação “capital-trabalho” mais flexível.
Jornal Primeira Página: As vagas que foram “perdidas” serão recuperadas?
Sasso: A recuperação dos postos de trabalho perdidos demandará esforços coordenados de toda a equipe econômica do Governo Federal e de outras esferas do Poder Público também. A iniciativa privada e a sociedade civil também deverão participar ativamente. É preciso fazer o país crescer novamente. Mas para isso, será necessário o fortalecimento dos mercados interno e externo. Então, nesse mundo de economia globalizada no qual vivemos, dependeremos também da velocidade com a qual outros países superarão essa crise.



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