Região Central já conta com 92.286 MEIs
Abertura de modalidade de empresa salta 6% em 2023; São Carlos e Araraquara somam 48.130 empreendedores

A Região Central Paulista, da qual São Carlos faz parte, tinha formalizada no último dia de 2023, um total de 92.286 MEIs (Micro Empreendedor Individual). O número mostra um aumento de 6% neste tipo de empresa em comparação com 2022, quando o número de MEIs era de 87.079.
O Município que tem o maior número destes micro negócios é São Carlos que abriga um total de 25.646 empresas formalizadas nesta modalidade. O número corresponde a 10% da população local. Em 2022 a cidade contava com 24.280 MEIs. Isso revela um incremento de quase 6% de um ano para outro.
Em Araraquara havia 20.960 MEIs em 2022 e 22.484 em 2023. O avanço destes empreendedores neste caso foi de 7%. Somando-se os municípios de São Carlos e Araraquara, as MEIs chegavam a 45.240 em 2022 e a 48.130 no ano passado. O salto de um ano para o outro foi de 6,5%.
Em quase todos os municípios dos 26 Municípios da região houve surgimento de novos MEIs, com duas exceções. Em Motuca, 282 MEIs mantinham-se ativos em 2022 e continuaram no mercado em 2023. Já em Trabiju houve queda no número destes pequenos negócios. Em 2022 existiam MEIs registradas. No ano passado este número caiu de 121 para 118.
O economista Paulo Cereda explica que a figura do MEI surgiu como forma de formalizar vários tipos de trabalhos informais e dar o mínimo de dignidade e direitos sociais a uma grande massa de trabalhadores que viviam à margem da sociedade, como direito à aposentadoria e afastamento médico por motivo e doença ou acidente.
“Muita gente vivia de vende roupas, cosméticos ou fazendo pequenos serviços de eletricidade, jardinagem e etc, numa grande gama de atividades que existiam à margem do mercado formal e que garantia renda a este pessoal. O MEI foi um jeito de formalizar este pessoal. A ideia era dar acesso à cidadania e isso funcionou muito bem”, destaca ele.
Segundo ele, o tempo mostrou que destaca-se no Brasil, o “empreendedorismo por necessidade”. Ele explica que muitos criam uma MEI porque perderam o emprego ou de alguma forma têm dificuldades de voltar ao trabalho formal, com carteira assinada. Assim, acabam criando um negócio próprio para garantir sua renda. De acordo com Cereda, houve uma explosão no número de MEIs no período da pandemia de Covid.
Cereda explica que mesmo com a redução do desemprego, o número de MEIs avançam também por conta da tendência de novas relações de trabalho, diferentes dos antigos vínculos de trabalho. Existe, segundo ele, muitos vínculos de trabalho que hoje são feitos via CNPJ e não mais através de carteira de trabalho.
A chamada “pejotização” do trabalho, segundo Cereda, é uma tendência mundial e, segundo ele, um caminho sem volta na economia global. “Sem fazer juízo de valor este é um processo inevitável. Temos que evitar a precarização do trabalho através da conscientização do trabalhador das vantagens e desvantagens destas novas formas de trabalho para que ele não tenha surpresas e dissabores no futuro. Assim é fundamental que existam políticas públicas cada vez mais assertivas, criando consciência empreendedora na sociedade desde o ensino fundamental, mostrando possível um planejamento de vida onde cada um possa analisar como vai atuar nesta nova realidade”, ressalta.
MAIS DE 13 MILHÕES
Cerca de 13,2 milhões de brasileiros eram microempreendedores individuais (MEIs) em 2021. O dado é das Estatísticas dos Cadastros de Microempreendedores Individuais 2021, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, os microempreendedores individuais representam 69,7% das empresas e organizações e 19,2% das ocupações formais no país.
Em relação a 2019, ou seja, o período pré-pandemia de covid-19, o número de MEIs cresceu 37,5% (3,6 milhões). Também cresceu sua participação no total de empresas e organizações (de 64,7% para os 69,7%) e de ocupações formais (de 15,2% para os 19,2%).
Por outro lado, o número de MEIs com empregados caiu de 146,3 mil em 2019 para 104,9 mil em 2021 (depois de recuar para 97,2 mil em 2020). Do total de MEIs registrados em 2021, 53,1% se filiaram entre 2019 e 2021.
Em 2021, houve a entrada de 2,9 milhões e a saída de 857 mil MEIs, o que resultou num crescimento de 2,1 milhões.
O estudo mostrou ainda que 50,2% dos MEIs atuavam no setor de serviços. As principais atividades dos microempreendedores eram cabeleireiros e tratamento de beleza (9,1% dos MEIs), comércio varejista de artigos de vestuário e acessório (7,1%) e restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas (6,3%).
No segmento de cabeleireiros e tratamento de beleza, aliás, os MEIs representavam 90,4% do total do pessoal ocupado.
Número de MEIs nos 26 Municípios da Região Central Paulista:
MUNICÍPIOS 2022 2023
Américo Brasiliense 2.696 2.879
Araraquara 20.960 22.484
Boa Esperança do Sul 792 846
Borborema 1.345 1.421
Cândido Rodrigues 223 243
Descalvado 2.531 2.643
Dobrada 599 625
Dourado 653 701
Fernando Prestes 434 460
Gavião Peixoto 383 368
Ibaté 2.047 2.193
Ibitinga 5.460 5.762
Itápolis 2.419 2.574
Matão 6.161 6.551
Motuca 282 282
Nova Europa 597 612
Porto Ferreira 5.033 5.320
Ribeirão Bonito 717 764
Rincão 816 834
Santa Ernestina 369 373
Santa Lúcia 437 466
Santa Rita do Passa Quatro 2.024 2.144
São Carlos 24.280 25.646
Tabatinga 1.089 1.136
Taquaritinga 4.611 4.841
Trabiju 121 118
TOTAL 87.079 92.286



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