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Reforma trabalhista explica geração recorde de empresas

07/06/2020 07h57 - Atualizado há 6 anos Publicado por: Redação
Reforma trabalhista explica geração recorde de empresas Foto: Marco Rogério

O Brasil registrou um aumento de 21,7% na abertura de empresas em janeiro, em relação ao mesmo mês no ano passado. No mês, foram abertos 320.512 novos empreendimentos, segundo dados da Serasa Experian. O número é recorde nos levantamentos realizados pela entidade, desde 2010.
O Indicador de Nascimento de Empresas da Serasa apontou que as sociedades limitadas puxaram a variação, com aumento de 78,8% no período. Ainda assim, os microempreendedores individuais são maioria, representando 80,6% do total de novos negócios. Na comparação com dezembro de 2019, o crescimento foi de 73,6%.
O economista Elton Casagrande explica que a reforma trabalhista e a busca de redução de custos das empresas estão gerando novos negócios. “As pessoas geram empresas ou negócios primeiro, por necessidade. Isso reúne indivíduos que não conseguem se colocar no mercado de trabalho, aqueles que são demitidos ou aqueles que querem abrir seu próprio negócio. A
pesquisa é bienal feita pelo Sebrae realizada com uma metodologia internacional”, afirma ele.
Casagrande explica que muitos trabalhadores que atuavam em “atividades-meio” de uma empresa, foram demitidos e recontratados como pessoa jurídica após abrir uma empresa.  ‘A aprovação da Reforma Trabalhista motivou as empresas a modificar os contratos de pessoas que atuavam na ‘atividade meio’ para uma empresa que servia a uma ‘atividade fim’ de uma organização. Muitos destes se tornaram empresários de pequenos negócios, atuando de forma terceirizada, mas atuando quase que somente para uma empresa. Esta mudança tem consequências, principalmente tributárias”, ressalta.
O economista também destaca que a crise do novo coronavírus antecipou a aceleração da economia digital. “Há uma serie de inovações no mercado, acelerada principalmente por conta da economia digital. Por conta da epidemia, este é um fator não controlado que muda tudo. ”
Segundo ele economia brasileira ainda é de “eficiência” é de busca de redução de custos. Não é uma economia de alta tecnologia e eficiência. Temos que produzir cada vez mais barato e em alta quantidade para termos receita. Isso vale, inclusive, para o agronegócio.
“As cadeias de valor internacionais estão se apoderando da riqueza gerada no Brasil pelo equívoco der estratégia de não conservação do meio ambiente, que levaria a uma intensidade tecnológica no aproveitamento de tudo aquilo que é produzido no Brasil. Enquanto não virarmos esta chave, vamos ter que trabalhar muito, pagar salários medianos e não alavancarmos o mercado interno. Estas têm sido as características do mercado brasileiro”, conclui Casagrande.
REGIÕES –  A Região Norte se destacou, registrando o maior crescimento no número de novas empresas desde março de 2019. No primeiro mês deste ano, a variação foi de 33% em relação a janeiro de 2019, com mais de 15 mil negócios abertos. O Centro-Oeste vem na sequência, com 25,6% de crescimento.
Entre os estados, o Amazonas liderou o indicador, com alta de 56,4% no comparativo entre janeiro 2020 e 2019, seguido por Amapá (52%), Roraima (44,3%), Paraná (41%), Sergipe (35,4%), Maranhão (33,7%).
O mês de janeiro registrou crescimento de novas empresas em todos os segmentos, com destaque para serviços (24,7%). A área representa 69,3% do total de negócios abertos no mês, seguida por comércio (22,1%) e indústria (7,3%).

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