Queda no consumo das famílias é a maior desde o apagão

O motivo da queda, segundo o IBGE, foi a pandemia do novo coronavírus que inibiu os consumidores diante de um futuro incerto
O recuo de 2% do consumo das famílias no primeiro trimestre
deste ano na comparação com o último trimestre do ano passado era algo já
esperando, segundo o economista Paulo Cereda. Segundo ele, a queda, que foi a
mais intensa desde 2001, quando houve uma crise de fornecimento elétrico, de
acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era ”algo
inevitável”.
O motivo da queda, segundo o IBGE, foi a pandemia do novo coronavírus e as
consequentes medidas de isolamento social colocadas em prática por vários
governos estaduais e municipais para combater a disseminação da doença.
“Infelizmente a realidade econômica não tinha como ser diferente A dúvida que
tínhamos era só sobre qual o percentual da queda do consumo das familias.
Primeiro por que as pessoas ficaram em isolamento social e isso tem várias
implicações econômicas. AS pessoas não circulando e não gastam o mesmo volume
de dinheiro que gastavam antes da crise da Covid-19. Até porque a s pessoas
passaram a não demandar serviços que demandavam antes”, destaca Cereda.
O comportamento do consumo das famílias teve um impacto importante no Produto
Interno Bruto (é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) do
trimestre, que caiu 1,5% na comparação com o trimestre anterior. O maior
impacto causado pela queda do consumo das famílias foi sentido pelo setor de
serviços, que responde por 74% da economia brasileira.
“Em segundo lugar houve uma redução de renda. A partir desta realidade, as
pessoas passaram a ter medo do futuro, pois não sabe se vai conseguir se manter
empregada ou, no caso do empresário, se vai manter o seu negócio de pé. Menos
renda significa menos recursos para gastar. Simples assim”, explica o
economista.
Cereda ressalta que o terceiro ponto é que as pessoas também abriram mão do
consumo diante das incertezas do futuro. “O medo leva à redução do consumo.
Isso deve permanecer até o final do ano. Mesmo com a retomada e com o
surgimento do ‘novo normal’, este é um ano de encolhimento da economia. Resta
saber apenas o quanto vamos encolher”.
Entre as atividades de serviços pesquisadas, as principais quedas ocorreram nos
outros serviços (-4,6%), transporte, armazenagem e correio (-2,4%), informação
e comunicação (-1,9%) e comércio (-0,8%). Também houve quedas nos segmentos de
administração, saúde e educação pública (-0,5%), intermediação financeira e
seguros (-0,1%). O único setor com alta foi o de atividades imobiliárias
(0,4%).
Além do consumo das famílias, as exportações caíram 0,9%. Essa queda da demanda
também teve impactos na indústria, que recuou 1,4%. As atividades industriais
tiveram as seguintes taxas de queda: setor extrativo (-3,2%), construção
(-2,4%), indústrias de transformação (-1,4%) e atividade de eletricidade e gás,
água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,1%).



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