Pesquisa do Sebrae aponta que bancos estão negando crédito a pequenos

Mais de 62% dos negócios interromperam temporariamente as atividades
Seis em cada dez
donos de pequenos negócios que já buscaram crédito no sistema financeiro desde
o início da crise provocada pelo novo coronavírus (covid-19) tiveram o pedido
negado, segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae). Há também, de acordo com a entidade, bastante
desconhecimento dos empresários a respeito das linhas de crédito que estão
sendo disponibilizadas para evitar demissões: 29% não conhecem as medidas
oficiais e 57% apenas ouviu falar a respeito.
Os dados são da segunda pesquisa O impacto da pandemia do coronavírus nos
pequenos negócios, realizada pelo Sebrae entre os dias 3 e 7 de abril com 6.080
empreendedores de todo o país.
De acordo com o levantamento, além da dificuldade de acesso a crédito, as
pequenas empresas também enfrentam queda no faturamento. Cerca de 88% dos
empresários consultados viram seu faturamento cair, 75% em média, e a
estimativa é que as empresas consigam permanecer fechadas e ainda assim ter
dinheiro para pagar as contas por mais 23 dias. A situação financeira das
empresas já não era considerada boa mesmo antes da chegada da pandemia: 73%
disseram que era razoável ou ruim.
A pesquisa mostrou também que mais de 62% dos negócios interromperam
temporariamente as atividades ou fecharam as portas definitivamente. Entre os
38% que continuam abertos, a maioria mudou o seu funcionamento, passando a
fazer apenas entregas, atuando exclusivamente no ambiente virtual ou adotando
horário reduzido. Nos últimos 15 dias, cerca de 18% dos empresários
entrevistados demitiram funcionários.
No final do mês de março, o governo anunciou uma linha de crédito emergencial
para ajudar pequenas e médias empresas a quitar a folha de pagamentos. O
setor está entre os mais afetados pela crise gerada pela pandemia da covid-19.
A estimativa é de liberação de R$ 40 bilhões, para 1,4 milhão de empresas, que
devem assumir o compromisso de que não vão demitir o funcionário nesse período.
Do total, R$ 34 bilhões são recursos do Tesouro Nacional e R$ 6 bilhões de
instituições privadas. Em contrapartida, os bancos que aderirem à linha de
crédito recolherão 5% menos dos depósitos compulsórios ao Banco Central (BC),
até o fim do programa. A dedução deverá os bancos com mais de R$ 6 bi em casa.
Prorrogação de dívidas
No mês passado, os cinco maiores bancos do país também anunciaram a
prorrogação por até 60 dias dos vencimentos de dívidas para clientes pessoas
físicas e micro e pequenas empresas. Entretanto, empresas e pessoas físicas têm
enfrentado dificuldades para ter acesso a essa pausa e ainda reclamam de juros
mais caros em novas operações de crédito. Para o BC, isso acontece pela maior
demanda das empresas por determinadas linhas de crédito e também pelo maior
risco de inadimplência.
Em nota, o Sebrae informou que vai destinar pelo menos 50% da sua arrecadação
para ampliar o crédito aos pequenos negócios. Os recursos vão fortalecer o
Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas e, segundo a entidade, vão
permitir um aumento nas operações de microcrédito com taxas mais baixas, maior
prazo e melhor período de carência.
O direcionamento desses recursos está previsto na Medida Provisória 833/2020,
encaminhada pelo governo ao Congresso no dia 1º de abril. A MP reduz pela
metade as contribuições obrigatórias das empresas para o comércio S, por um
período de três meses, exceto para o Sebrae.
De acordo com a entidade, um dos maiores obstáculos no acesso dos pequenos
negócios ao crédito é a exigências de garantias feitas pelas instituições
financeiras. Nesse sentido, medida de socorro deve começar com R$ 1 bilhão em
garantias às micro e pequenas empresas, o que viabilizará a alavancagem de
aproximadamente R$ 12 bilhões em crédito para pequenos negócios.
O fundo de aval disponibilizado pelo Sebrae pode alavancar empréstimos no valor
de 8 a 12 vezes o seu patrimônio. Ele conta com aproximadamente R$ 470 milhões
em recursos disponíveis aos pequenos negócios e, a partir da MP, contará com
mais R$ 500 milhões.



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