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Indústria terá 8 mil demissões

23/04/2020 04h31 - Atualizado há 6 anos Publicado por: Redação
Indústria terá 8 mil demissões Foto: Divulgação

Empresário acredita que economia paulista está sendo fortemente afetada; sindicalista busca a preservação de empregos e economista alerta para uma crise de longo prazo

O empresário e ex-diretor regional do CIESP, Ubiraci Moreno Pires Corrêa, afirma que a atual crise, causada pela pandemia do novo coronavírus, vai causar a demissão de aproximadamente 8 mil trabalhadores em São Carlos nos próximos meses.  De acordo com dados do IBGE, São Carlos tem uma População Economicamente Ativa (PEA) de 88.298 pessoas, com PIB per capita de R$ 42.568,73. Deste total, 35,9%, algo aproximado de 28 mil pessoas seriam trabalhadores do setor industrial, com salários médios de R$ 3.200,00.
Ubiraci, durante a crise de 2008 previu que o setor fabril de São Carlos iria eliminar cerca de 4.000 empregos, o que acabou acontecendo. “A crise será muito violenta. A paralisação das atividades econômicas no Estado de São Paulo faz parte de uma estratégia política-eleitoreira do atual governador, João Dória, para tentar desgastar o presidente Jair Bolsonaro e tomar seu lugar em 2022. Porém, com este ardil o que estão conseguindo é matar a economia paulista. Em São Carlos deveremos ter cerca de 8.000 dispensas somente na indústria no médio prazo. ”
Para Ubiraci, mesmo as medidas tomadas pelo governo federal e implementadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, têm sido tímidas. “O crédito anunciado pelo BNDES não é repassado diretamente pelo banco de desenvolvimento ao empresário. Assim, os recursos passam primeiro pelo sistema bancário tradicional, o que aumenta muito os juros e encarece este dinheiro”, lamenta ele.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos, Vanderlei Strano, afirma que o sindicato tem atuado de forma a proteger o emprego dos trabalhadores. O setor conta com cerca de 10 mil trabalhadores com média salarial de R$ 2.500,00 e inclui gigantes do setor, como Electrolux, Tecumseh e Volkswagen, entre outras.
“Infelizmente existe uma paralisia geral. Não existem pedidos, pois não há para quem vender nada com a quarentena. Os empresários reclamam que não estão tendo acesso ao crédito e que as medidas dos governos estadual e federal até agora não tem ajudado em nada o segmento”, explica Strano.
Para o economista Luis Fernando Paulillo, a crise atingirá São Carlos e cheio e poderá realmente provocar o maior desemprego da história, já que a economia está globalizada e a questão prioritária da saúde impede as soluções locais que eram utilizadas para se combater crises anteriores. “Nas crises anteriores São Carlos foi atingida mas houve soluções locais. Desta vez a crise é de longo prazo. A lógica não será se abrir o comércio e sair todo mundo comprando. O ritmo de demanda será outro, bem menor do que anteriormente devido a todo o cenário econômico e as incertezas”, explica. 
Empresas de São Carlos anunciaram mudanças
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Vanderlei Strano, a Electrolux suspendeu o contrato de trabalho, praticamente de acerca dos 1.800 funcionários, por até dois meses, conforme as regras da Medida Provisória 936 (MP 936), durante o período de pandemia do novo coronavírus. A Volkswagen já tinha colocado os cerca de 1 mil funcionários em férias coletivas e banco de horas, desde o dia 22 de março.
Já a Tecumseh do Brasil concedeu férias e colocou em “home office” aqueles cuja função permite, a empresa buscou uma alternativa de flexibilização da mão de obra e suspenderá o contrato de trabalho de 531 funcionários das áreas produtivas a partir de quarta-feira (22), por até 5 meses. Esta medida foi negociada junto ao Sindicato dos Metalúrgicos e o acordo assinado na sexta-feira (17).

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