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Indicador de preço de alimentos no atacado cai 5,9% em maio

Inflação oficial pelo IPCA poderá ficar negativa em junho e subir no 2º semestre, projeta presidente do Banco Central

12/06/2023 23h56 - Atualizado há 3 anos Publicado por: Redação
Indicador de preço de alimentos no atacado cai 5,9% em maio Agência Brasil

AE/ABr

O índice de preços Ceagesp encerrou o mês de maio com variação negativa 5,90% ante uma queda de 4,17% no mês anterior, acumulando uma baixa 10,07 pontos porcentuais em dois meses, a maior dos últimos dois anos. O índice acumula alta de 4,36% no ano e de 11,18% em 12 meses, informa a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

O destaque do período ficou com o setor de legumes, que apresentou a maior deflação no mês (-10,68%) e em 12 meses (-2,61%), sendo puxado principalmente pela queda nos preços da cenoura e da abobrinha italiana. O setor de legumes está com uma forte redução de 26,88 pontos porcentuais nos últimos dois meses, configurando-se como a maior dos últimos dois anos.

O setor de frutas teve queda de 4,72% em maio. Com o resultado de maio, o setor de frutas acumula queda de 0,64% no ano e de 19,20% em 12 meses. “As baixas temperaturas do período deram uma arrefecida na demanda e provocaram lentidão na maturação dos produtos. Concomitantemente a isso, a oferta de produtos no setor foi, em geral, maior do que no mês anterior, quando foi registrada alta de 14,04%. Essa combinação de fatores fez com que o setor apresentasse a maior retração média de preço no ano para o setor de frutas”, explicou a Ceagesp.

O setor de legumes registrou variação negativa de 10,68%. Conforme a Ceagesp, o setor de legumes acumula baixa 10,68% no ano e de -2,61% em 12 meses. “Com condições mais favoráveis para o plantio e a colheita dos produtos no mês de maio, foi o setor que apresentou, em um contexto geral, o maior aumento no volume ofertado. Dentre os produtos que apresentaram reduções de preço, a abobrinha italiana registrou aumento no volume ofertado superior a 47%, enquanto a cenoura aumentou o seu volume ofertado em mais de 22%”, observou a companhia.

O setor de verduras apresentou queda de 4,68% em maio. O setor de verduras acumula alta de 47,50% no ano e de 3,86% em 12 meses Conforme a Ceagesp, “o setor vem passando por um momento de reacomodação nos preços (“volta à normalidade”) em virtude da maior oferta de produtos depois das quebras de produção ocorridas no primeiro trimestre do ano. Segundo os agentes de mercado, as baixas temperaturas do fim do mês prejudicaram as vendas dos produtos, contribuindo também para o arrefecimento dos preços”.

Os preços no setor de diversos teve alta de 2,08% em maio. No acumulado do ano, o setor registra queda de 7,26% no ano e de 1,77% em 12 meses. “A alta de preço da batata asterix se deu por conta da quebra de safra ocorrida no Estado de São Paulo e na região Sul do País. A cebola nacional, por sua vez, embora tenha encerrado o período com variação positiva de preço, foi perdendo força ao longo do mês devido à entrada da cebola importada”, argumentou a Ceagesp.

Já o setor de pescados teve queda de 10,03% em maio. No acumulado do ano a baixa é de 5,11% no ano e de 2,33% em 12 meses. “Abril é o mês de maior pressão no setor por causa da quaresma, Semana Santa e Páscoa e maio acabou tendo a maior redução de preços do ano em virtude da redução de consumo quando comparado ao mês anterior. Outras razões para essa redução de preços foram o aumento da oferta de alguns itens importantes do setor, tais como peroá branco e pescadas, e da estabilidade de tantos outros produtos do setor”, disse a Ceagesp.

INFLAÇÃO/BC

A inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá ficar negativa em junho e subir no segundo semestre, disse nesta segunda-feira (12) o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Em evento promovido pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), ele disse que o índice deverá terminar o ano com melhora em relação às previsões iniciais.

“Vai ter meses [com o IPCA] entre 0,4% e 0,5% no fim do ano, o que vai fazer com que a inflação no ano fique mais ou menos entre 4,5% e 5%, mais perto de 4,5%. Isso é uma melhora em relação ao que esperávamos, mas uma melhora lenta”, declarou Campos Neto.

Na edição mais recente do Relatório de Inflação, divulgada em março, a autoridade monetária previa que o IPCA encerraria o ano em 5,8%. A edição desta segunda-feira do Boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, aponta expectativa de 5,42% para o IPCA neste ano.

Segundo Campos Neto, a queda no preço das commodities (bens primários com cotação internacional) tem contribuído para segurar a inflação. Ele, no entanto, advertiu que a média dos núcleos de inflação (que exclui os preços com maior volatilidade) está caindo de forma mais lenta e continua mais alta que os índices finais.

“A gente ainda está com média de núcleos de 6,7%. A inflação no Brasil está bem menor que nos países avançados pela primeira vez na história. Isso significa que a gente tem um trabalho que foi feito que teve eficácia e que tem alguns itens na inflação mais voláteis que contribuíram positivamente”, disse o presidente do BC.

JUROS

Campos Neto recebeu diversos pedidos da presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Luiza Trajano, para começar a reduzir a Taxa Selic (juros básicos da economia). Segundo o presidente do BC, o comportamento do mercado financeiro, onde as taxas futuras caíram bastante nos últimos dias, favorece um afrouxamento da política monetária, mas não agora. “A curva de juros futura teve queda de quase 3% dependendo do prazo que você olha. Isso significa que o mercado está dando credibilidade ao que está sendo feito, o que abre espaço para atuação de política monetária na frente”, disse.

Para Campos Neto, existem boas surpresas na atividade econômica e na inflação em 2023, apesar de a agropecuária ter puxado o crescimento econômico no primeiro trimestre. “Uma parte relevante do PIB [Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no país] do primeiro trimestre veio da agricultura, mas os serviços vieram forte também. O comércio e indústria começaram a mostrar melhora”, disse.

Segundo Campos Neto, o desempenho da economia no primeiro trimestre abriu espaço para revisões para cima da estimativa de crescimento em 2023. “Com o número do primeiro trimestre vai ficar difícil a revisão parar por aí. Muito provavelmente, vamos ter revisões mais para perto ou acima de 2% [de crescimento] por efeito-base do primeiro trimestre”, afirmou.

No Relatório de Inflação de março, o BC estimava crescimento de 1,2% para o PIB. Na edição desta segunda-feira do boletim Focus, as instituições financeiras projetam expansão de 1,84%.

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