Guedes defende cláusula de calamidade pública para dinheiro ficar direto na ponta

O ministro da Economia, Paulo
Guedes, afirmou que o governo precisa de apoio jurídico e de mudanças na
legislação para que suspender o pagamento da dívida previdenciária dos
municípios. “Deveria ter cláusula de calamidade pública para que dinheiro
ficasse direto na ponta”, disse Guedes.
O pleito foi feito durante videoconferência com
a Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
“Temos que suspender regras normais. O
ideal era que nenhum recurso fosse enviado de uma cidade para Brasília neste
momento. O ideal era que dinheiro todo ficasse na ponta para o combate. Mas se
fizéssemos assim agora, desse jeito, amanhã estaríamos todos na cadeia.
Dependemos de uma aprovação de ações extraordinárias”, afirmou Guedes na
reunião.
No início da conferência, após ouvir as
demandas, Guedes adiantou que teria dificuldades para atender ao pleito sobre
Previdência. “Eu tenho impressão que não consigo mexer (…) Se for
instrução normativa da economia nós vamos fazer, mas creio que (sobre
previdência) não é possível. Nós não temos previsão de adiar recebimentos da
previdência. Mas pedi à equipe para apurar”, declarou.
Após insistência por parte do presidente da CNM,
Glademir Aroldi, Guedes disse que concordava com a demanda, mas justificou que
“o problema é a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”. “A LRF é
o certo para tempos normais. Gostaria que houvesse uma cláusula de calamidade
pública, que nessa situação de calamidade que temos hoje, uma ameaça global,
isso poderia acontecer em várias circunstâncias”, comentou Guedes.
Além da questão previdenciária, Aroldi também
pediu para que a equipe econômica avalie suspender por quatro meses o pagamento
do patronal atual do regime geral e do regime próprio. “Isso seria
decisivo e nos manteria com as portas abertas e as prefeituras
funcionando”, disse Aroldi para Guedes.
O presidente da CNM propôs ainda, uma linha de
financiamento para pagamento dos precatórios, entre R$ 10 e R$ 15 bilhões.
“Com esse financiamento resolveríamos problema de precatórios e
injetaríamos os recursos na economia”, defendeu.



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