Equipe econômica estuda alterar meta fiscal para evitar bloqueio de R$ 30 b

O
governo pode propor a mudança da meta fiscal deste ano para evitar o bloqueio
de pelo menos R$ 30 bilhões do Orçamento. Números preliminares da equipe
econômica apontam a necessidade de um bloqueio das despesas do Orçamento dessa
magnitude para garantir a cumprimento da meta fiscal de 2020, que permite rombo
de até R$ 124,1 bilhões nas contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e
Banco Central.
A depender do cenário dos próximos dias, o valor
pode subir ainda mais devido ao impacto da pandemia do novo coronavírus. Como
esse é um valor muito elevado, diante do cenário de queda do ritmo de
crescimento da atividade econômica por causa dos efeitos da crise e da
necessidade de adoção de medidas emergenciais, começou a ser discutida na
equipe do Ministro da Economia, Paulo Guedes, a possibilidade de piora da meta
fiscal, como antecipou o Estadão/Broadcast na última quinta-feira (12).
Nesse cenário, o bloqueio seria feito até que o
Congresso aprovasse a alteração da meta. O bloqueio em volume tão alto compromete
o funcionamento da máquina pública e a prestação de serviços à população.
A previsão de déficit teria que ser alterada na
mesma magnitude do contingenciamento. Depois de aprovada, o bloqueio seria
desfeito dando mais fôlego aos ministérios. O anúncio do bloqueio deve ser
feito na semana que vem.
Um integrante da equipe econômica que defende a
mudança disse ao Estado que a medida dá mais margem de manobra nesse momento de
incerteza dos efeitos da pandemia do coronavírus no Brasil e no mundo. Os defensores
da medida na Economia querem evitar um tombo maior da expansão do PIB.
Defensor da cartilha liberal, Paulo Guedes não
decidiu. Ele teme por pressões de gastos, que colocaria o processo de ajuste em
risco. A preocupação é também com a sinalização para os investidores de que o
ajuste fiscal é excessivamente gradual, já que desde 2016 os resultados das
contas públicas mostram déficits elevados. O Brasil só deve voltar a fechar as
contas no azul em 2022, segundo projeções oficiais.
Para outro integrante da equipe, a alteração da
meta é “apenas uma consequência natural” se houver necessidade dado o
avanço do coronavírus. No grupo dos que defendem a mudança, há o diagnóstico de
que os desdobramentos da crise são de “uma proporção jamais vista”.
Já os opositores da mudança avaliam que a mudança da meta colocaria mais
pressão para todo o tipo de gasto.
“Alterar a meta de primário não é nenhum
pecado mortal se você mostrar que fez isso de maneira consciente”, disse o
diretor executivo do Instituto Fiscal Independente (IFI) do Senado, Felipe
Salto. Para ele, seria compreensível neste momento prever um rombo maior nas
contas se a justificativa for aumento em gastos com saúde.



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