Em ofício ao Congresso, Guedes pede reformas para conter crise

Diante do agravamento da
crise econômica internacional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou
ontem (10) à noite aos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbe (DEM-AP), ofício em que pede a aprovação
de propostas consideradas prioritárias pela equipe econômica. Ao todo, Guedes
listou 14 projetos de lei, três propostas de emenda à Constituição e duas
medidas provisórias em tramitação no Congresso.
No documento, o ministro ressaltou a
importância da aprovação das propostas até a metade do ano. “O esforço para a
aprovação, neste semestre, das matérias listadas tem a capacidade de proteger o
Brasil da crise externa”, destacou. Segundo Guedes, somente com a continuidade
de reformas estruturais que reduzam os gastos obrigatórios, o governo terá
espaço no orçamento para estimular a economia.
“Com a continuidade de reformas estruturais
que o país precisa, será possível recuperar espaço fiscal suficiente para a
concessão de outros estímulos à economia”, diz o ofício. O texto, no entanto,
não detalha quais seriam esses estímulos. No texto, Guedes pediu aprovação
rápida das propostas para facilitar a “blindagem” da economia brasileira em
meio à crise econômica internacional.
Nos últimos dias, diversos economistas têm
pedido o aumento dos investimentos públicos para fazer frente a uma possível
recessão econômica mundial, provocada pela disseminação do coronavírus e pela
guerra entre Arábia Saudita e Rússia pelo preço internacional do petróleo. Para
aumentar os investimentos, no entanto, o governo precisaria flexibilizar o teto
federal de gastos. Nessa terça-feira, o secretário especial de Fazenda, Waldery
Rodrigues, descartou mudanças no limite de gastos.
A resposta do Ministério da Economia ocorreu
depois de Maia ter cobrado o envio das propostas de reforma tributária e
administrativa. Na última segunda-feira (09), Guedes prometeu enviar a
reforma administrativa ainda nesta semana e a tributária nesta semana ou na
próxima.
No ofício, Guedes reiterou que as reformas
administrativa e tributária serão enviadas em breve, mas pediu que o Congresso
agilize a tramitação das propostas do governo. “Considerando o agravamento da
crise internacional em função da disseminação do coronavírus e a necessidade de
blindagem da economia brasileira, o Ministério da Economia propõe acelerar a
pauta que vem conduzindo junto ao Congresso Nacional”, destacou.
O documentou listou as três PECs enviadas no
fim do ano passado: reforma do pacto federativo (que descentraliza recursos da
União para governos locais), PEC emergencial (com gatilhos para cortar
temporariamente salários de servidores em momentos de crise fiscal) e PEC dos
fundos (que extingue fundos considerados desnecessários). No entanto, também
cita projetos como a autonomia do Banco Central, a liberação do mercado de gás
e o Plano de Equilíbrio Fiscal, que permite a ajuda a estados com dificuldades
de caixa em troca de medidas de ajuste. As medidas provisórias mencionadas são
a do emprego verde-amarelo (que cria um programa especial para trabalhadores
jovens) e a que autoriza a quebra do monopólio da Casa da Moeda.
Confira
a lista das propostas que o Ministério da Economia considera prioritárias:
Na Câmara
– PL 6407/2013: nova Lei do Gás
– PLP 149/2019: Plano de Equilíbrio Fiscal
– PLP 200/1989: autonomia do Banco Central
– PL 5877/2019: privatização da Eletrobrás
– PL 6229/2005: recuperação judicial
– PL 5387/2019: simplificação da legislação de câmbio
– PL 3443/2019: governo digital
– PL 7316/2019: certificação digital
– PLP 295/2016: nova Lei de Finanças Públicas
– PL 7063/2017: Lei de Concessões
No
Senado– PEC 188/2019: reforma do pacto federativo
– PEC 197/2019: reforma dos fundos públicos
– PEC 186/2019: PEC emergencial
– PLS 232/2016: Marco Legal do Setor Elétrico
– PLS 261/2018: Novo Marco Legal de Ferrovias
– PL 3261/2019: Marco Legal do Saneamento Básico
– PL 3178/2019: alteração do regime de partilha
No
Congresso
– MP 902/2019: quebra do monopólio da Casa da Moeda
– MP 905/2019: Programa Emprego Verde-Amarelo.



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