Desigual, recuperação do mercado imobiliário se concentra no Sudeste

Enquanto
em São Paulo a indústria da construção civil começa a se
recuperar de uma das maiores crises de sua história, em grande parte
do Brasil o setor ainda demora a reagir. No ano passado, as
construtoras mantiveram a política de fechamento de postos de
trabalho em 14 Estados, segundo levantamento do Sindicato da
Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).
De
acordo com a pesquisa, porém, a média no número de empregos na
construção aumentou 1,88% no Brasil em 2019. Em parte, esse
crescimento foi impulsionado pelo Estado de São Paulo, que, no ano
passado, concentrou 27% das vagas do setor no País.
Os dados do
SindusCon indicam que a recuperação de um dos principais motores da
economia está concentrada principalmente no Sudeste, um pouco no Sul
e em algumas capitais do Nordeste. Em regiões como o Norte, onde a
economia depende mais de políticas públicas e nas quais o Minha
Casa Minha Vida tem maior relevância, a recuperação ainda não deu
sinais.
Até no Estado de São Paulo, onde os números são
positivos, a retomada é desigual. Ela se concentra sobretudo na
capital. Pesquisa do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) mostra que
o número de lançamentos na cidade cresceu 49,6% no ano passado,
enquanto na região metropolitana diminuiu 4,1%.
A economista
Ana Maria Castelo, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre),
pondera que entre 2006 e 2013, período em que a construção deu um
salto, o crescimento também não começou com a mesma intensidade em
todo o País, mas logo acabou se espalhando. “Teve o PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento), por exemplo, um fator que
contribuiu para que o crescimento acontecesse no País inteiro. Hoje,
não tem uma força dinâmica com a mesma intensidade”, diz
ela.
Situação
crítica
Tocantins,
Roraima e Ceará foram os Estados com os piores indicadores de
emprego na construção em 2019, com uma queda média de 19,9%, 8,7%
e 6,25% no número de vagas, respectivamente
De acordo com o
presidente do Sinduscon do Ceará, Patriolino Dias de Sousa, no
entanto, a sensação é que a construção cearense começou a se
recuperar a partir do segundo semestre do ano passado. “Antes
tinha muito estoque e quase não havia lançamentos. Nos últimos
quatro anos, as incorporadoras só concluíam obras. Mas a queda dos
juros começa a favorecer as vendas.”
Como as obras
costumam começar apenas seis meses após os empreendimentos serem
lançados, a expectativa é que as construtoras cearenses iniciem as
contratações agora. No ano passado, foram lançados imóveis que
somam um valor de vendas de cerca de R$ 700 milhões no Estado. Para
2020, Sousa espera que os lançamentos cheguem a R$ 2 bilhões –
ainda longe dos R$ 3,2 bilhões de 2014.
Economistas e
profissionais do setor, porém, não acreditam em uma grande mudança
no modo de recuperação da construção neste ano. O vice-presidente
de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, afirma que, para haver
um crescimento em todo o País, seria necessário uma alta nos
investimentos mais significativa.
“Quando se faz um
investimento, metade do dinheiro passa nas mãos da construção. Por
isso, é tão importante que haja uma melhora. Se o investimento
continuar como está, a construção vai andar mais ou menos como no
ano passado”, afirma Zaidan.
Ana Maria, do Ibre, também
acredita que 2020 deve ter um comportamento semelhante ao de 2019,
podendo haver uma expansão um pouco mais forte no nível do emprego
no fim do ano. “Se os leilões (de privatização) avançarem,
podemos ter uma melhora no ânimo.”



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