Crise sanitária barra avanço das empresas de tecnologia de São Carlos

A crise da Covid-19 está barrando o crescimento de um dos setores mais importantes da economia de São Carlos: as empresas de alta tecnologia ou empresas de base tecnológica, as chamadas EBTs, que estavam em plena expansão.
Várias destas empresas viviam um período de crescimento e abertura de novas vagas. Porém, com o início da quarentena este processo foi suspenso até que as incertezas atuais passem. O município reúne pouco mais de 300 empresas deste segmento.
O perfil das EBTs são-carlenses reúne uma mistura de muitas microempresas onde os donos
são os próprios trabalhadores, empresas de pequeno porte com poucos trabalhadores (no máximo 10) e algumas poucas empresas de marketing digital e arquivo digital com grande número de funcionários, caso da Serasa Experian, por exemplo.
A Serasa, por exemplo, vinha ampliando seu quadro de aproximadamente 1.300 trabalhadores. Segundo fontes do meio empresarial, mesmo diante dos atuais desafios do novo coronavírus, a empresa não demitiu ninguém. Esta está se utilizando de outras alternativas, como adiantar férias e fazer banco de horas.
O professor Sylvio Goulart Rosa Júnior, preside a Fundação ParqTec, onde existem pouco mais de vinte empresas incubadas e são gerados 30 postos de trabalho, incluindo os proprietários, que são pesquisadores de universidades atuando em novos projetos. “Estes profissionais são geralmente bolsistas e, portanto, não sofrem com problemas de desemprego. Na verdade, o setor tecnológico é importante porque cria soluções para problemas e moderniza a produção, mas não é intenso em mão-de-obra. Na verdade, a tecnologia é poupadora de mão-de-obra”, explica ele, que é dos precursores das EBTs no Brasil.
Rosa Júnior teme que a crise da Covid-19 se prolongue por muito tempo. “Neste caso, se houver uma paralisia global e prolongada da economia, todos os setores econômicos, sem exceção, serão afetados”, comenta ele.
CONSEQUÊNCIAS
Secretário confirma suspensão de novas contratações
O secretário municipal de Trabalho, Emprego e Renda, Walcinyr Bragatto, afirma que nesse período extremamente delicado da Pandemia do coronavírus, empresas de todos os setores produtivos sentem o impacto em suas atividades econômicas. “No geral tivemos vários cancelamentos de processos de seleção que estavam previstos para contratação de pessoas e, utilizando das disposições legais, muitas empresas estão antecipando férias, usando bancos de horas, suspendendo contratos, realizando “lay-off” ou mesmo demitindo. Assim, os setores mais tradicionais como indústria de transformação, comércio e prestação de serviços sofrem os maiores impactos”. Bragato ressalta que os empreendimentos da área de alta tecnologia, inovação, desenvolvimento de “startups” também são diretas ou indiretamente impactadas. “Porém, por possuírem processos mais configurados em redes informatizadas, utilização de ferramentas digitais, tratamento computadorizado de dados e negociações globais, conseguem absorver esses impactos de forma menos traumática. Apresentam maior facilidade para se adaptarem e colocarem seus funcionários trabalhando da própria casa, home office, desenvolvimento de muitos projetos continuam em andamento, já realizam as negociações por meios eletrônicos, reúnem-se e apresentam produtos por vídeo conferências, realizam pagamentos e transferências financeiras por meios digitais, mesmo assim, para a grande maioria também ocorrem perdas”, explica ele. Segundo Bragatto, o ponto negativo da atual crise é que algumas que estavam em processo de grande ampliação. “Elas precisaram frear e suspender novas contratações, mas estão conseguindo manter os empregos atuais, especialmente, as que oferecem soluções digitais para o mercado que está ávido a se adaptar. Estas empresas também utilizam de antecipação de férias e outros dispositivos legais. Algumas outras, mesmo em alta tecnologia, precisaram diminuir pessoas para poder ajustar financeiramente e sobreviver. ”O secretário também destaca que diferentemente dos setores produtivos mais tradicionais, a tendência das empresas de alta tecnologia e inovação é recuperarem-se mais rapidamente quando as relações econômicas voltarem à normalidade.





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