Comissão reduz em R$ 39 bi previsão do governo com PEC

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou
nesta quarta-feira, 4, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue
fundos públicos com recursos carimbados, ou seja, cujos recursos são
direcionados para um setor específico. O governo estimava liberar, para
amortização da dívida pública da União, R$ 219 bilhões com a extinção de 248
fundos obrigatórios. No entanto, segundo o relator da proposta, senador Otto
Alencar (PSD-BA), o texto aprovado na CCJ reduz esse montante em R$ 39 bilhões,
para R$ 180 bilhões.
Na votação da CCJ, mais fundos que seriam extintos na proposta do Executivo
foram mantidos. Os parlamentares fecharam acordo na comissão para preservar os
fundos de Defesa da Economia Cafeeira, de Segurança Pública, Penitenciário, Antidrogas
e o de Ciência e Tecnologia.
Além desses, o parecer aprovado já propunha manter os fundos destinados ao
financiamento de exportações, do agronegócio e de investimentos em
infraestrutura. Também livrava aqueles instituídos pelo Judiciário, Tribunais
de Contas, Ministério Público, Defensorias Públicas e pelas
Procuradorias-Gerais dos Estados e do Distrito Federal.
Os parlamentares recuaram da tentativa de excluir despesas do teto de gastos, o
que permitiria aumento de gastos acima da inflação. Novas alterações poderão
ser apresentadas no plenário da Casa, para onde segue a proposta. Se aprovada
no Senado, a PEC ainda terá de ser analisada pelos deputados federais.
Pressão é para manter recursos
carimbados
Alguns setores pressionam o Senado para ampliar a preservação de recursos
carimbados. O governo, porém, tenta impedir que a proposta garanta a
permanência de fundos específicos. A PEC determina que o Congresso e
assembleias legislativas possam garantir a manutenção dos fundos extintos. Mas,
para isso, precisarão aprovar leis complementares nesse sentido até o fim do
ano seguinte à promulgação da medida, com iniciativa também do Poder Executivo.
“Muitos dos fundos serão mantidos. Temos dois anos para rever isso.
Precisamos de uma lei para avaliar a eficácia de cada um desses recursos”,
avaliou o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-TO).
Parlamentares cobraram do governo a relação de quais fundos seriam extintos com
a proposta e do impacto total do pacote de Guedes. O senador José Serra
(PSDB-SP) decidiu apresentar um novo projeto de lei para atualizar as regras de
funcionamentos dos fundos públicos e pediu a aprovação da PEC junto com essa
proposta. “O governo realmente não presta contas do que executa”,
afirmou o relator, Otto Alencar.



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