Com taxa de ocupação abaixo de 10%, hotéis começam a fechar as portas

Com uma taxa média de ocupação abaixo de 10% nesta última
semana, sobretudo para eventos corporativos, parte dos hotéis, resorts e
parques temáticos começou a encerrar suas atividades por tempo indeterminado.
“O setor de turismo reagiu de forma imediata à pandemia do
coronavírus”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo Fernando Guinato Filho,
vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de
São Paulo. Parques temáticos, como Beto Carrero, e resorts também fecharam as
portas e veem incertezas para os próximos quatro meses por conta da covid-19.
O executivo, que também é diretor-geral do Sheraton São Paulo WTC e do WTC
Events Center, disse que na cidade de São Paulo, que concentra a maior parte de
turismo de negócios, a taxa de ocupação encerrou esta semana em cerca de 7%. O
hotel Bourbon Convention, que fica no bairro do Ibirapuera, próximo ao
aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, o L’Hotel, da região da
Avenida Paulista, e o Sheraton, de Santos (litoral paulista), estão entre os
que encerraram temporariamente as atividades.
O setor, que emprega 380 mil trabalhadores diretos – e 1,3 milhão indiretos –
calculou prejuízo de R$ 2,2 bilhões até o dia 15 de março. “Até o fim do
mês, chegará a R$ 3,5 bilhões”, afirmou Sérgio Souza, presidente da
Associação Brasileira de Resorts (Resorts Brasil). Segundo ele, o setor começou
a ficar em alerta há 15 dias, quando os resorts e hotéis começaram a receber
pedidos de cancelamentos não só corporativos. “Escolas e famílias
começaram a cancelar as reservas.”
Nesta semana, as principais associações que representam o setor pediram um
pacote de ajuda ao governo federal para manterem os empregos. Pela proposta, o
setor se compromete a arcar com 100% dos salários de 10% dos 380 mil
funcionários, que seria o contingente necessários para a manutenção dos
estabelecimentos. Os 342 mil funcionários restantes não seriam demitidos, mas
ficariam em casa com salário pago pelo governo. As entidades aguardam nos
próximos dias uma resposta do governo federal.
De acordo com os representantes do setor, os grupos não têm fôlego para arcar
seus custos fixos. Pelos cálculos de Guinato, da Abih-São Paulo, os custos
fixos dos hotéis são cobertos quando as taxas de ocupações ficam, em média, em
60%. As redes já começaram a negociar com os sindicatos das categorias redução
de jornada e salários e antecipação de férias, com pagamentos parcelados em até
quatro parcelas.
As grandes redes hoteleiras, que reúnem 650 unidades, preveem o encerramento de
suas atividades já a partir da próxima semana, disse Orlando de Souza,
presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb). “A única
alternativa é parar tudo. A receita do setor vai ser zero e não temos como
arcar com os custos.”
Responsável por 8,6% do PIB, o setor de turismo já tem sido afetado por medidas
provisórias adotadas isoladas pelos Estados. “Não estamos falando somente
pela cadeia hoteleira. A crise com o coronavírus afeta 52 setores da cadeia do
setor do turismo. O governo tem de ser sensível a isso. Serão mais de 4 milhões
de empregos afetados. O setor como um todo estava se recuperando, mas agora
veio esse baque”, afirmou Manoel Linhares, da Abih Nacional.
Importante destino de viagem de brasileiros e turistas estrangeiros, as redes
hoteleiras de Porto Seguro, na Bahia, e Santa Catarina, por exemplo, não estão
fazendo mais reservas, diz o presidente da Resorts Brasil. As redes de hotéis
faturam cerca de R$ 31 bilhões e respondem pela metade do PIB da cadeia do
turismo.
Gargalo
Com as incertezas que pairam ainda sobre o setor, Guinato afirmou que a
retomada da atividade, quando a crise do coronavírus passar, vai ser outro
problema. “As empresas que pediram para cancelar as reservas dos eventos
agora pediram para deixar a data em aberto para o segundo semestre. No segundo
semestre, contudo, temos muitas reservas já feitas. Vamos ter problemas de
agenda.”



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