Captação da poupança bate recorde em maio

Depósitos superaram saques em R$ 37,2 bilhões no mês
Aplicação financeira mais tradicional dos brasileiros, a
caderneta de poupança voltou a atrair o interesse dos brasileiros em meio à
pandemia provocada pelo novo coronavírus (covid-19). No mês passado, os
investidores depositaram R$ 37,2 bilhões a mais do que retiraram da aplicação,
informou na última quinta-feira (04) o Banco Central. Em maio do ano passado,
os brasileiros tinham sacado R$ 718,7 milhões a mais do que tinham depositado.
Essa foi a maior captação líquida para todos os meses desde o início da série
histórica, em 1995. Com o resultado do mês passado, a poupança acumula entrada
líquida de R$ 63,9 bilhões nos cinco primeiros meses do ano.
A aplicação tinha começado o ano no vermelho. Em janeiro e fevereiro, os
brasileiros retiraram R$ 15,93 bilhões a mais do que depositaram. A situação
começou a mudar em março, com o início da pandemia da covid-19, quando os
depósitos superaram os saques em R$ 12,17 bilhões. Em abril, a poupança captou
R$ 30,46 bilhões.
A queda expressiva da bolsa de valores e a instabilidade em outros
investimentos, como títulos do Tesouro, refletiram-se em maior volume de depósitos
na poupança. Por causa da turbulência no mercado financeiro, os
títulos do Tesouro Direto têm registrado oscilações nas taxas de juros.
Rendimento
Com rendimento de 70% da Taxa Selic (juros básicos da economia), a poupança
atraiu mais recursos mesmo com os juros básicos em queda. Com a Selic no menor
nível da história, o investimento estava rendendo menos que a inflação no
início do ano. No entanto, a expectativa de que a inflação caia por causa da
crise econômica provocada pelo novo coronavírus pode fazer a aplicação terminar
o ano com rendimento positivo.
Nos 12 meses terminados em maio, a aplicação rendeu 3,35%, segundo o Banco
Central. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15
(IPCA-15), que serve como prévia da inflação oficial, atingiu
1,96%. O IPCA cheio de maio será divulgado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) no próximo dia 10.
Para 2020, o Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada
pelo Banco Central, prevê inflação oficial de 1,55% pelo
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com a atual fórmula de rendimento,
a poupança está rendendo 2,1% em 2020, considerando a redução da Selic para 3%
ao ano.
Histórico
Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele
ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Com o início da recessão
econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta
para cobrir dívidas, em um cenário de queda da renda e de aumento de
desemprego.
Em 2015, R$ 53,57 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida
da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões. A
tendência inverteu-se em 2017, quando as captações excederam as retiradas em R$
17,12 bilhões, e em 2018, com captação líquida de R$ 38,26 bilhões. Em 2019, a
poupança registrou captação líquida de R$ 13,23 bilhões.



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