22 de Abril de 2026

Dólar

Euro

Economia

Jornal Primeira Página > Notícias > Economia > “Brasil é tábua de salvação para alimentar o mundo”, diz economista

“Brasil é tábua de salvação para alimentar o mundo”, diz economista

Paulo Cereda destaca que produção e distribuição de grãos e proteínas tem que ser realizada de forma sustentável

31/07/2022 09h05 - Atualizado há 4 anos Publicado por: Redação
“Brasil é tábua de salvação para alimentar o mundo”, diz economista

A chamada “agricultura tropical” ganha cada vez mais destaque na economia globalizada. Neste momento, de forte crise climática, Guerra da Ucrânia e crise política na Europa, o Brasil joga um papel muito importante, principalmente como fonte de segurança alimentar. A afirmação é do economista Paulo Cereda.

“O Brasil é visto como tábua de salvação neste momento. O agronegócio brasileiro está sendo de alguma maneira beneficiado. Há dois meses, a ONU, através da FAO, já estava pedindo ao Brasil, que não parasse com a exportação de alimentos. Há uma crise mundial na produção e distribuição de alimentos, não só pela guerra, mas também por fatores climáticos. O Brasil tem condições de alimentar o mundo com uma elevada produção de alimentos, de proteína animal e outros alimentos. Temos alguns desafios, como a seca no Pantanal que ocorre há três anos. Será que tivemos uma mudança severa no clima de um bioma importante como o Pantanal? Isso pode afetar diretamente na capacidade brasileira de produzir alimentos”, ressalta Cereda.

Segundo ele, o desafio da produção de alimentos já existia antes desta crise climática. “O que ocorre agora é a intensificação deste problema. Produzir alimentos em larga escala de forma sustentável. Distribuir estes alimentos de forma eficiente, sem desperdícios, e garantir que toda a população mundial tenha acesso à alimentação segura, é um desafio global muito grande. Tudo isso tem que ser feito preservando mananciais e evitando expandir fronteiras agrícolas para que não tenhamos pela frente mais desafios climáticos e mais desestabilização do clima. Alimento é uma agenda global importantíssima para os próximos anos”, reforça o economista.

GUERRA NA UCRÂNIA

Para Cereda, a Guerra da Ucrânia afeta, sim, o Brasil. “A maior percepção está no preço dos combustíveis. No primeiro semestre o preço do petróleo aumentou muito e isso fez a inflação subir muito no Brasil. Isso atrapalhou muito a visa do brasileiro, que gastou boa parte de sua renda por isso, principalmente no primeiro semestre. O mundo deve entrar em recessão com o aumento da taxa de juros em vários países, o que deve provocar uma queda no valor das commodities”.

De acordo com o economista é necessário refletir como está guerra vai continuar ou não no segundo semestre. “Tem se desenhado algumas alianças internacionais. A Turquia anunciou acordo para a possível exportação de grãos Depende muito de como a guerra vai continuar e como o mundo vai se configurar em torno desta guerra. Temos também queda do primeiro ministro inglês, a crise política na Itália. Então, atores importantes na geopolítica global e de embargos econômicos feitos à Rússia. Tem muita instabilidade no cenário internacional. Uma guerra nunca é interessante, muito menos nua região muito rica em petróleo, gás natural e grãos. Isso impacta na economia mundial. Temos que torcer para que a guerra acabar rapidamente”, ressalta.

A escassez de fertilizantes, segundo o economia, é apenas um dos problemas que afetam o Brasil devido ao conflito armado na Europa.  “Além da questão dos fertilizantes, a guerra atrapalha a economia brasileira, pois lança instabilidade mundial e ela impacta na inflação do mundo todo. Já havia resquícios da pandemia e isso se manteve com o choque de combustível. O mercado de grãos está com instabilidade no mundo, não só pela impossibilidade e dificuldade da exportação dos grãos produzidos pela Rússia e pela Ucrânia. Já se falade que o embargo não deve afetar a produção de alimentos, o que acho uma medida inteligente. Se embargar, você pode condenar algumas regiões à fome, não só por isso, mas também devido a questões climáticas com quebra de produções de grãos, como na índia, por questões climáticas, com calor intenso e seca, houve problemas sérios. Isso tudo impacta no Brasil. A alta de preços das comoditties acaba elevando o PIB do Brasil, mas isso não vai aumentar emprego e riqueza, pois há vários outros problemas que acabam atrapalhando”, destaca.

Recomendamos para você

Comentários

Deixe um comentário

plugins premium WordPress