Bolsas de NY voltam a fechar em forte queda com coronavírus

As
bolsas de Nova York voltaram a fechar em queda no pregão desta última
terça-feira (25), novamente com o avanço do coronavírus no radar. A doença se
espalha pela Europa, com Suíça, Croácia e Áustria registrando os primeiros
casos. Na Itália, o número de mortes subiu para 11 e o número de casos está em
322. Foi confirmado também o primeiro caso na Catalunha, levando o total na
Espanha para cinco. No Irã, foram relatadas 95 infecções e 15 mortes; o
secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou durante coletiva de imprensa
que o governo americano está “profundamente preocupado” com a
possibilidade de o Irã ter suprimido informações vitais sobre os casos de
coronavírus no país.
O índice Dow Jones despencou 879,44 pontos no
dia, ou 3,15%, fechando em 27.081,36 pontos – o volume negociado ficou bem
acima da média dos últimos três meses. O Nasdaq caiu 2,77%, a 8 965,61 pontos;
e o S&P 500 teve baixa de 3,03%, a 3.128,21 pontos. O índice VIX de
volatilidade, chamado de “medidor do medo” dos mercados acionários
americanos, fechou o dia com elevação de 11,27%, para 27,85 pontos.
Preocupações com a possibilidade de o avanço da doença afetar
comércio e viagens internacionais levaram a fuga nos setores de aviação e
finanças. Ontem, a Mastercard reduziu as projeções para crescimento e receita
no primeiro trimestre de 2020. A empresa afirmou que espera agora alta de 9% a
10% na comparação anual – antes, a expectativa era de crescimento superior a
10%. Entre as maiores quedas no índice Dow Jones, duas ações eram do setor
financeiro: American Express recuou 5,69% e Visa caiu 5,23%. Já no índice
S&P 500, duas das maiores quedas foram de companhias aéreas: a American
Airlines caiu 9,16% e a Southwest Airlines, 8,22%.
Nesta última terça-feira (25), o Centro de
Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês)
informou que o coronavírus está se espalhando de forma rápida pelo mundo e que
há provável risco de pandemia. O órgão americano diz que o “quadro clínico
completo” em relação vírus “não está totalmente esclarecido”,
sendo provável que “mais casos sejam identificados nos próximos dias,
incluindo os Estados Unidos”. A Casa Branca pediu US$ 2,5 bilhões em
recursos ao Congresso dos EUA para combater os surtos no mundo. Os recursos
seriam utilizados para desenvolver uma vacina, adquirir equipamentos de
proteção e financiar tratamentos.
A empresa farmacêutica Moderna enviou nesta
última terça-feira (25) uma possível vacina contra o coronavírus a
pesquisadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos
Estados Unidos para testes, e avançou 27,81% na Nasdaq, para US$ 23,76.
O líder da missão internacional conjunta da
Organização Mundial da Saúde (OMS) e da China contra o coronavírus, Bruce
Aylward, disse nesta terça-feira que os casos de infecção pelo vírus no país
asiático estão desacelerando. “Vimos um crescimento exponencial de novos
casos, que atingiu um platô estabilidade e vem caindo consistentemente desde
fevereiro”, afirmou o especialista durante uma coletiva de imprensa da OMS.
O vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o
banco central americano), Richard Clarida, afirmou hoje que a doença deve ter,
ao menos no primeiro trimestre deste ano, efeito considerável no crescimento da
China: “A disrupção lá pode transbordar para o resto da economia global.
Mas ainda é cedo para especular sobre a magnitude ou a persistência desses
efeitos, ou se eles levarão a mudança material na perspectiva”.
O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa
Branca, Larry Kudlow, disse hoje em entrevista a CNBC que o coronavírus está
contido nos Estados Unidos e por isso não vê possibilidade de impactos na
cadeia produtiva. Empresas de tecnologia estiveram entre as mais negociadas do
Índice Dow Jones – as companhias mais ativas hoje foram, em ordem, Microsoft,
Apple e Cisco.



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