27 de Abril de 2026

Dólar

Euro

Economia

Jornal Primeira Página > Notícias > Economia > BC ficou sem saída ao ver inflação e dólar altos

BC ficou sem saída ao ver inflação e dólar altos

Fiesp considera que medida dificulta retomada da atividade econômica em 2021, que já enfrenta inúmeros desafios por causa da pandemia

19/03/2021 07h30 - Atualizado há 5 anos Publicado por: Redação
BC ficou sem saída ao ver inflação e dólar altos Foto: Divulgação / FGV

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de elevar os juros básicos em 0,75 ponto surpreendeu a maior parte dos analistas, que esperavam um aumento menor da Selic. Na visão de economistas, no entanto, a medida demonstra a preocupação do BC em lidar com a alta de preços e do dólar e era inevitável – embora haja divergências sobre a velocidade desse aumento.

Para José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), e ex-diretor do BC, apesar de a entidade entender que os choques recentes na economia são temporários, eles estão em uma dimensão relevante, e o quadro para a inflação se tornou preocupante. “Quando se olha o comportamento dos preços ao produtor, a alta é substancial.”

Ele completa que a questão fiscal no Brasil também é preocupante e que há uma falta de apetite pelo enfrentamento desse problema. “Principalmente para conter a evolução das despesas obrigatórias E há sinais de traços de populismo na condução da política econômica.”

Já a consultora econômica Zeina Latif diz que o movimento do BC poderia ter sido mais modesto, para acompanhar os desdobramentos da economia. Ela também avalia que a eficácia da alta de juros será baixa. “No curto prazo, o dólar deve recuar, mas os principais fatores para o descolamento do dólar são a questão fiscal, a falta de uma agenda de governo e a incompetência para lidar com a pandemia. A tendência é termos um aperto mais forte dos juros do que se imaginava.”

André Perfeito, economista-chefe da Necton, destaca que a Selic deveria ter subido antes. “Juro mais alto, porém, pode cair mal e precisamos observar os efeitos políticos disso. Mas tudo piorou rapidamente e não adianta ter juros no lugar certo e a economia no lugar errado.”

Já Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, critica a elevação dos juros. “Foi um grande erro de análise. Não era para fazer nada agora, pois há uma inflação de custos, não de demanda. Em vez de esfriar os preços, vai esfriar a ainda frágil demanda”.

FIESP – A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de SP) considera a ação precipitada. “Apesar dos choques de oferta que a economia vem sofrendo, ainda paira muita incerteza sobre o horizonte econômico de médio prazo. Por isso, entendemos que a elevação da Selic não é a melhor solução neste momento”, comenta.

“A atividade econômica deve exibir um desempenho fraco no 1º trimestre, com risco de que esse quadro se estenda por todo o semestre. As expectativas de crescimento do PIB para o ano estão em 3,2% segundo o último boletim Focus, número insuficiente para recompor a queda de 4,1% do ano passado”, prossegue.

Segundo a Fiesp, a dificuldade das famílias em manter seus níveis de renda e consumo está materializada na necessidade de se aprovar um novo auxílio emergencial para a população mais vulnerável: “Além disso, as vendas do varejo caíram em dezembro (-3,1%) e janeiro (-2,1%) e o setor de serviços perdeu velocidade na passagem de 2020 para o início deste ano”.

“Por todos esses fatores, entendemos que a elevação da Selic neste momento é precipitada e dificulta o cenário para a atividade econômica em 2021, que já enfrenta inúmeros desafios em razão da persistência da pandemia”, conclui.

Recomendamos para você

Comentários

Deixe um comentário

plugins premium WordPress