Balança comercial fecha janeiro com primeiro déficit desde 2015

A
queda na cotação de diversos produtos internacionais e a redução
do embarque de alguns itens fizeram a balança comercial (diferença
entre exportações e importações) fechar janeiro com o primeiro
déficit em cinco anos. No mês passado, o país importou R$ 3,428
bilhões a mais do que importou. Este é o pior resultado para o mês
desde 2015 (-US$ 3,875 bilhões).
No
mês passado, as exportações caíram 20,2% pela média diária,
atingindo US$ 14,430 bilhões. As importações encerraram janeiro em
US$ 16,175 bilhões, com recuo de 1,3% pela média diária.
Segundo
a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, o
principal fator responsável pela retração das vendas externas foi
a não exportação de uma plataforma de petróleo no valor de US$
1,3 bilhão ocorrida em janeiro do ano passado que não se repetiu
neste ano. Em seguida, o saldo foi influenciado pela queda nas
cotações internacionais e no volume das exportações de petróleo
bruto, cujas vendas caíram US$ 592 milhões em janeiro na comparação
com o mesmo mês do ano passado.
As vendas de celulose caíram
US$ 445 milhões na mesma comparação, influenciada pela
desaceleração da economia chinesa. Também contribuiu para a queda
nas exportações a redução de US$ 270 milhões nas vendas de milho
e a diminuição de US$ 255 milhões nos embarques de soja, também
provocado pela baixa demanda chinesa, que se refletiu nos preços
internacionais.
O crescimento nas exportações de minério de
ferro e seus concentrados (+US$ 314 milhões), algodão (+US$ 282
milhões) e derivados de petróleo (+US$ 207 milhões), não
compensou a queda nos embarques de outros produtos. As exportações
do principal produto responsável pelo repique da inflação no fim
do ano passado, a carne bovina congelada, cresceram US$ 182 milhões
na comparação entre janeiro deste ano e janeiro de 2019.
Todas
as categorias de produtos registraram queda nas exportações. As
vendas de bens manufaturados caíram 27,7% em janeiro em relação ao
mesmo mês do ano passado, ainda influenciadas pela crise na
Argentina. As vendas de produtos semimanufaturados caíram 25,2%.
Para os produtos básicos, a queda nas exportações atingiu
11,9%.
Nas importações, as compras de bens de capital –
máquinas e equipamentos usados na produção – subiram 6,6% em
janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado. As aquisições de
bens intermediários caíram 3,4%. No entanto, por causa da
recuperação da economia, as compras de bens de consumo subiram
6,9%. As importações de combustíveis e lubrificantes tiveram forte
queda, com recuo de 15,3%.
Depois de o saldo da balança
comercial ter encerrado 2019 em US$ 46,657 bilhões, o segundo maior
resultado positivo da história, o mercado estima menor superávit em
2020, motivado principalmente pela recuperação da economia
brasileira, que reativa o consumo e as importações, pelas tensões
comerciais entre países desenvolvidos, que reduz o comércio global,
e pelo surto de coronavírus na China, o principal destino das nossas
exportações.
Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com
instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, os analistas
de mercado preveem superávit comercial de US$ 37,31 bilhões para
este ano. O Ministério da Economia ainda não divulgou as
estimativas para o saldo comercial em 2020.



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