Após escândalos e prejuízos, Porto de Santos corta custos e mira privatização

Envolvido
numa série de escândalos nos últimos anos, o maior complexo portuário da
América Latina – o Porto de Santos – passa por uma reestruturação de olho no
processo de privatização
Desde o início do ano, a Companhia Docas do
Estado de São Paulo (Codesp), agora chamada de Santos Port Authority (SPA), tem
feito várias mudanças para reduzir custos e elevar receitas. As iniciativas vão
de corte de pessoal, limitação de algumas regalias e revisão de contratos do
porto.
As medidas devem ajudar a autoridade portuária a
reverter o prejuízo de R$ 468 milhões no ano passado e dar maior visibilidade
entre os investidores, especialmente os operadores estrangeiros. Até outubro, a
administradora do complexo santista havia apurado lucro de R$ 118 milhões.
“Viemos para cá com a missão de preparar a
empresa para a desestatização. Para isso, tinha de dar um banho de gestão na
companhia”, diz o presidente da SPA, Casemiro Tércio Carvalho. O governo
deve contratar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
para fazer os estudos e modelagem da privatização da empresa.
À frente da administração do porto desde
fevereiro, ele conta que focou os trabalhos iniciais na redução de custos. Isso
envolveu até o corte de aparelhos celulares para funcionários. Agora os
telefones ficam apenas em lugares remotos, para uso na operação. Houve também
demissão de pessoal, como copeiras e motoristas, redução da frota de veículos,
revisão de contratos de terceiros e cancelamento de alguns serviços.
Outra mudança foi alocar todos os diretores num
único espaço. Antes cada um tinha uma sala com estrutura independente. Agora
estão todos no mesmo lugar sem a necessidade de ter, por exemplo, uma impressora
para cada um, diz Carvalho.
Só com esse trabalho, a companhia deverá
conseguir uma economia de 20% neste ano, o que deve somar R$ 130 milhões. Outra
iniciativa importante foi transferir a gestão do Terminal Pesqueiro Público de
Laguna (SC) para as autoridades locais. Por ano, a SPA gastava algo em torno de
R$ 6 milhões com a manutenção do terminal – localizado a quase 800 quilômetros
de distância de Santos.
Dinheiro novo – Do lado das receitas, houve a revisão de alguns
contratos, com reajustes de até 75%. A autoridade portuária firmou contratos de
transição em áreas com arrendamento vencido. Até agora foram firmados cinco
contratos de transição. Carvalho afirma também que houve um trabalho de
melhoria operacional para destravar o porto na atracação de navios em qualquer
lugar no cais público – o que não era permitido anteriormente. Isso
possibilitou a entrada de 46 navios a mais em Santos, disse o executivo.
“O efeito disso é que começamos a capturar cargas que tinham deixado
Santos para outros portos.”
Para 2020, os planos devem começar um Programa
de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PDV), aprovado pelo Ministério da
Economia e pelo sindicato da categoria. O objetivo é alcançar cerca de 500
empregados antigos, com mais de 35 anos de casa, e aposentados. A SPA tem hoje
1,3 mil funcionários diretos e 900 indiretos.
Operação – No lado operacional, o trabalho também é extenso. A empresa trabalha em
conjunto com o governo na modelagem dos próximos arrendamentos no Porto de
Santos, com o objetivo de criar clusters de movimentação de carga. Isso deve
ocorrer numa região chamada Macuco, que inclui a área da Libra Terminais – que
não opera mais em Santos desde que entrou em recuperação judicial em meados
deste ano.
Nessa área, que já tem movimentação de celulose,
a expectativa é leiloar em 2020 e 2021 dois terminais para o transporte do
produto. Isso criará no local um corredor com capacidade para 12 milhões de
toneladas de celulose – um dos maiores do mundo. Na mesma região, também será
licitado um terminal para granéis líquidos.
Uma outra área será leiloada na Alemoa, outra
região de Santos. Ali, a expectativa é licitar um terminal de 480 mil metros
quadrados para granéis líquidos. Hoje, parte desse terreno é operada pela
Transpetro. O edital deverá sair em 2021.
Entre os operadores que estão em Santos, e que
preferem não se identificar, o trabalho de Carvalho, por enquanto, está sendo
bem avaliado. “A equipe é bem preparada e estão executando um bom
projeto”, disse o executivo de um terminal, que preferiu não se
identificar.



Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.