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Aneel define aumento da tarifa de energia entre R$ 11 e R$ 15

Especialistas do Núcleo de Economia da ACISC e do Departamento de Engenharia Civil da UFSCar analisam impacto

31/08/2021 07h38 - Atualizado há 5 anos Publicado por: Redação
Aneel define aumento da tarifa de energia entre R$ 11 e R$ 15 Foto: Agência Brasil
Reportagem: Hever Costa Lima

O agravamento da falta de chuva e a baixa nos reservatórios das usinas hidrelétricas devem fazer com que o patamar dois da bandeira tarifária vermelha da conta de energia volte a subir já a partir de 1º de setembro. A decisão sairá nesta terça-feira, 31, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Especula-se que a tarifa de energia, a cada 100 kw/h, hoje de R$ 9,49, poderá variar entre R$ 11 e R$ 15.

Dentro de uma análise especulativa sobre o impacto do aumento da tarifa, o jornal Primeira Página procurou o economista Elton Casagrande, colaborador do Núcleo de Economia da Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC) e o professor do Departamento de Engenharia Civil da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Douglas Barreto que traçaram um panorama que o país vive com a dificuldade hídrica provocada pela estiagem.

Para Casagrande, a especulação que vem sendo feita é um balão de ensaio que a Aneel realiza para mapear a resposta da sociedade sobre a sobrecarga do valor da tarifa na economia familiar. “Acredito que entre as pessoas escolherem como racionar e pagar um valor maior na tarifa, e um racionamento impositivo por falta de oferta do produto, as pessoas vão preferir pagar o valor mais caro”.

Barreto afirmou que o sistema tarifário adotado no país prevê que quando são acionadas as usinas termelétricas, altera-se a modalidade de bandeira fazendo com que haja a transferência do custo desta geração aos consumidores. A bandeira atual, vermelha, pode alcançar de R$ 15 e R$ 20, chegando até R$ 25. “O impacto nos consumidores residenciais será sensível, pois, no momento, atividades estão sendo realizadas em casa, como por exemplo, o home-office, as aulas online, reuniões online, que demandam o uso de determinados equipamentos eletrônicos [no funcionamento de uma casa]”.

O professor da UFSCar reforçou que o aumento da tarifa é uma ação que pretende estimular o racionamento feito pelo consumidor que terá de “desligar” algo em sua residência.  “É uma maneira de conscientizar as pessoas a utilizarem a energia de forma racional, evitando desperdícios, como deixar luzes acesas em ambientes não utilizados e reduzir o seletor de potência do chuveiro elétrico, entre outras ações, que visam reduzir o consumo e consequentemente diminuir o valor da conta de energia”.

Paralelamente, a ação que pretende sensibilizar o consumidor, deve-se levar em conta que a Aneel tem de financiar o custo imediato de energia por outra fonte que não a hidrelétrica para assegurar o fornecimento. Esse aumento de custo é repassado para a população. “O aumento será inevitável”, afirmou Casagrande.

Ele ainda reforçou que a energia de maneira geral, seja fóssil ou elétrica, é vista como decisiva na organização da oferta de empresas e trabalho para produzir bens de serviço. “É um custo que entra na cadeia produtiva plena, não há um segmento que escape direta ou indiretamente, é um insumo essencial ao funcionamento de toda a economia”.

INFLAÇÃO – O impacto da conta de energia se soma ao aumento da inflação que tem tirado o sono dos brasileiros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a julho. O período registrou 0,96% de crescimento, quase o dobro do registrado no mês anterior, quando o índice foi de 0,53%.

Com o novo levantamento, o índice acumulado no ano chegou a 4,76% de inflação. Em 12 meses, quase bateu os 9%, registrando 8,99%. Entre os vilões da alta inflação estão a energia elétrica, o combustível e os alimentos – itens que castigam, principalmente, os mais pobres.

ESCASSEZ – O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia, afirmou que há uma “relevante piora” das condições hídricas no país. Segundo o comitê, é imprescindível manter todas as medidas em andamento e adotar novas providências para manter os reservatórios das hidrelétricas.

“Conforme destacado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a exemplo do verificado nos últimos meses, predomina a degradação dos cenários observados e prospecções futuras, com relevante piora, fazendo-se imprescindível a adoção de todas as medidas em andamento e propostas, destacadamente a alocação dos recursos energéticos adicionais e flexibilizações de restrições hidráulicas”, diz o comitê em nota.

O ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) afirmou ao jornal que a “atualização” das bandeiras é necessária para cobrir os custos da crise hídrica que o Brasil enfrenta. “Na atual conjuntura, esses custos estão aumentando. Os custos adicionais ou serão considerados na bandeira, ou serão considerados na tarifa”, disse o ministro.

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