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“Muitos casos nós não podemos atender”, diz presidente da Acorde

06/02/2013 10h38 - Atualizado há 14 anos Publicado por: Redação
“Muitos casos nós não podemos atender”, diz presidente da Acorde

“Hoje existem muitos casos que nós não podemos atender”, diz Ana Lídia Reis Marques, presidente da Acorde (Associação de Capacitação, Orientação e Desenvolvimento do Excepcional), entidade fundada em 1988 por Maria Lobbe e que hoje atende 43 excepcionais com idades entre 7 e 73 anos . O motivo, afirma Marques, é a falta de estrutura para mais atendimentos: “Temos um projeto de sede que é todo pensado para atender as necessidades dos excepcionais, pelo menos 100 deles, mas precisamos de verba, cerca de R$ 1 milhão. O alicerce já está pronto, falta é dar continuidade na obra, pois ainda não atingimos a verba ideal para continuar. Já projeto está todo aprovado na Prefeitura”, diz a presidente, mãe de uma jovem excepcional: “Enfrentei preconceitos, barreiras… Eu levava minha filha nos lugares e diziam: ‘mas por que você trouxe ela?’, e eu respondia: ‘Porque ela é minha filha, ora’”, diz.     

 

 A Acorde se dispõe a cuidar de pessoas excepcionais carentes, não importa qual seja a necessidade especial: “Para os cuidadores é uma forma de ele estarem seguros, e para os alunos é como se eles estivessem em uma escola. Embora não sejamos uma escola, trabalhamos isso para que eles se sintam úteis, pois quem estuda é útil, Nós trabalhamos a independência: o objetivo da entidade é trabalhar a independência do excepcional para que ele consiga conviver em sociedade, para que o cuidador não tenha uma sobrecarga. Eles precisam de atenção o tempo todo, e como as famílias têm que prover o lar, nós oferecemos esse atendimento”, explica Marques.

Entidade filantrópica, par se manter a Acorde depende de doações de empresas e pessoas físicas. A Comissão de Trabalhadores da Volkswagen é um dos que ajudam a entidade por meio do programa Uma hora para o futuro, em que os funcionários da empresa doam uma hora do que ganhariam trabalhando: “Mas às vezes a necessidade é tanta que eles nos doam mais de uma vez ao ano. Quando estamos em apuros eles são muito solidários conosco”, diz a presidente da Acorde.

Graças a doações como essa os alunos recebem atendimento psicológico, de terapia ocupacional, de fisioterapia, psicopedagógico, pedagógico, fonoaudiológico, nutricional: “Nossa enfermeira é voluntária, pois por falta de verbas não conseguimos contratar uma. Falta muita coisa mesmo”, explica Marques.

 

Como ajudar

Maria Aparecida de Almeida e Silva, tesoureira da entidade, explica como ajudar: “Existe um programa em que a pessoa física pode direcionar até 6% do imposto de renda devido ao governo a qualquer entidade, e a pessoa jurídica pode doar até 1% do imposto devido. Acontece que muita gente não sabe disso. É preciso conscientizar as pessoas e empresas que elas podem repassar esse valor, que elas teriam que pagar ao governo federal, a entidades”, explica.

O dinheiro é  recebemos através do Fumcad (Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e depois a entidade faz toda a prestação de contas: “E 10% do que recebemos fica no CMDC (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Carlos)”, diz a tesoureira.

Para a presidente, as pessoas têm que ter consciência de que esse dinheiro está ajudando o próprio município: “Pois qualquer entidade que é ajudada a ir bem diminui os problemas sociais. Um carro roubado não é problema da polícia somente. Cada um pode fazer a sua parte”, diz.  

“Somos um serviço de utilidade pública e a prefeitura nos ajuda. Mas sabemos que ela tem muitas Ong’s para ajudar. Ela destina o dinheiro que vem para ela destinar. Mas acho, sinceramente, que em uma cidade evoluída não deveria nem ter a prefeitura no meio. Somente os empresários que temos na cidade dariam conta de todas as demandas. Se cada um fizesse seu papel de destinar essa parte do dinheiro, nós não teríamos problemas. E não é só dinheiro: pode ser doação de produtos, que é abatida no imposto de renda. Se todas as pessoas se mobilizarem, não vamos ter tantos problemas, e isso não é só aqui em São Carlos, é no Brasil inteiro”, afirma a presidente.

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