Lover Ibaixe diz que doação da obra é definitiva
Com a expressão “as obras são de São Carlos eu doei e acabou”, o empresário Lover Ibaixe resumiu sua participação à reportagem do Primeira Página na tarde de ontem, no caso que envolve a doação do acervo de 100 gravuras de Salvador Dalí à prefeitura de São Carlos. A transferência do acervo foi contestado pelo sobrinho e advogado, João Ibaixe Júnior.
Ibaixe Júnior registrou um boletim de ocorrência, afirmando que a doação é indevida. O documento foi registrado no 78º Distrito Policial de São Paulo, no bairro dos Jardins. “O boletim surgiu depois de uma informação que a prefeitura já estaria transportando as gravuras para São Carlos. Este traslado seria ilegal, já que o acervo pertence ao Instituto Antônio Ibaixe. Quero preservar os quadros e o Instituto”, disse Júnior.
“Eu não tenho certeza onde as obras estão, já que foram removidas do Banco Safra, em Goiânia”, disse Júnior, ao explicar o que o motivou a fazer um boletim de ocorrência contra a prefeitura de São Carlos.
Para o empresário Lover Ibaixe, o sobrinho “quer aparecer” na mídia com esta atitude. E se diz irredutível quanto ao processo de doação do acervo para São Carlos.
O advogado contesta a doação feita pelo tio, afirmando que o acervo foi doado em 2007 para a ONG da família que é responsável pela manutenção do Instituto Antônio Ibaixe, fundado particularmente para divulgar o acervo de gravuras de Dali.
Ibaixe Júnior disse ainda que pretende evitar que o caso chegue a uma disputa judicial. “Minha ação é para manter fora da Justiça”.
De acordo com a assessoria de imprensa, a Prefeitura de São Carlos não pretende entrar na Justiça para garantir a vinda das obras de Salvador Dali. Após o impasse envolvendo o sobrinho do empresário Lover Ibaixe, a administração municipal informou que não vai ‘entrar nessa briga de família’.
Ainda segundo a Prefeitura, o próprio Lover entrou em contato com o governo para informar que pretende acionar seus advogados para garantir que a doação das 100 gravuras do pintor espanhol seja concretizada.
O advogado Ibaixe Júnior afirmou também que mesmo com o imbróglio da doação “dupla” da obra, ele pretende manter o projeto de expor de forma temporária as gravuras de Dali em São Carlos. “O patrimônio não é para ficar imobilizado em um único espaço. A ideia do Instituto é que essa obra seja itinerante”, afirmou.



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