Autônomo dedica seu tempo a cuidar de 250 cães e gatos
A história do são-carlense Ênio Malaquini, de 76 anos, não é nada comum. Ele é autônomo e junto com sua esposa cuidam de mais de 250 animais, entre cães e gatos. Ênio é vendedor de papelão, residiu anos em São Paulo e há 29 anos voltou a São Carlos. Desde então começou a ajudar animais que eram maltratados ou abandonados nas ruas da cidade. Eles mantêm em uma chácara de sete mil metros quadrados cerca de 80 cães e 160 gatos. “Eu não sei o número ao certo, essa é uma média, mas esse número já chegou a ser maior”, lembra o autônomo.
Ele, que sempre procurou ajudar os animais, acredita que eles são humildes, sofrem calados, não sabem pedir ou reclamar. A dedicação aos animais é tanta que o idoso chegou a usar todo o dinheiro que recebeu de um seguro por acidente e uma casa, cada um no valor de R$ 60 mil. “Eu recebi um seguro por um acidente e acreditei que o dinheiro poderia ser guardado e retirado aos poucos, com os juros, mas não foi nada disso, tive que pegar um pouco todo mês para conseguir sustentar os bichos. Quando tive melhores condições, dei uma casa para uma filha, ela faleceu e a casa voltou para mim. Quando o dinheiro do seguro acabou, vendi a casa, mas foi a mesma coisa, não deu para guardar, precisei ir usando, o dinheiro acabou no último mês de dezembro”, lembra.
Questionado sobre como faz para, além de garantir o sustento da família, manter os animais bem tratados, Ênio diz: “Não sei explicar, sinceramente. A gente dá conta, fome eles não passam, sempre recebo alguma ajuda. A ONG Cachorro Ajuda me ajuda um pouco, mas não consegue ajudar tanto, porque tem outras pessoas para fazer o mesmo. Tem outros amigos que passam na veterinária e deixam pago um saco de ração, mas a maioria sou eu que compro mesmo”.
Segundo Ênio, o canil é limpos duas vezes ao dia. Toda a estrutura foi construída pelo próprio vendedor com material recolhido em caçambas de lixo. “Aqui eu sou pedreiro, eletricista, encanador, sou tudo. Não paro nenhum momento, o canil e o gatil são limpos com muita frequencia, a alimentação também exige cuidados, dou banho nos animais, meu dia é quase todo dedicado a eles”. “A gente não tem tempo para pensar na gente. Não precisamos de nada, temos tudo, até saúde. Não queremos mais nada, só garantir a qualidade de vida para esses animais”.
Quando um animal morre, a perda é muito sentida pelo casal. “Cada um é único para nós, é como se fosse um membro na nossa família”, fala o cuidador, que sabe de cor o nome de cada um deles.
“Qualquer ajuda é bem vinda”, diz Ênio
Ajuda é bem vinda de qualquer maneira, segundo Ênio. Ele relata os maiores gastos são com ração e medicamentos. “Eu não pego cachorro que está bem, mas sempre aqueles que precisam de ajuda, doentes ou abandonados. Gatos também são muito abandonados, as pessoas ‘jogam fora’ gatinhos novos, recém-nascidos, que precisam de leite”, aponta.
Sobre como as pessoas podem ajudá-lo, Ênio confirma que qualquer ajuda é bem vinda. Desde ração, medicamento, material para refazer o canil e até mesmo dinheiro. “Medicamento, veterinário, tudo tem que ser pago, nada é gratuito. A estrutura está precária e quero melhorar isso, mas dependo de blocos, concreto, telas de arame, mas tudo tem um custo. Qualquer forma de ajuda é bem vinda”, conclui Malaquini.
Os animais estão disponíveis para adoção, mas poucas pessoas aparecem por lá para levá-los para casa. O telefone para quem deseja ajudar é (16) 9294-6622.



Parabéns ao sr Ênio,o mundo precisa de mais seres divinos assim como o sr.
Esqueceu de falar que recebe verba de vereador pra isso também!
É um vergonha alguém dizer que o Sr Enio recebe verba de político.