Bolsa opera em queda e dólar bate R$ 5,14

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, abriu de maneira
estável, se mantendo em 67 mil pontos, variando minimamente para cima. Porém,
poucos minutos depois, o Ibovespa, principal índice do mercado nacional, passou
a cair. Por volta das 12h20, o mercado brasileiro voltou ao patamar de 62 mil
pontos, o que não acontecia desde julho de 2017, em um recuo maior que 6%.
Ás 12h26, após falas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), contrárias à MP editada pelo presidente Jair Bolsonaro, que entre
outras decisões, possibilita suspensão do contrato de trabalho por até quatro
meses, o Ibovespa passou a cair aos
62.920,32, uma queda de 6,19%.
A Bolsa brasileira vem sofrendo, nas últimas semanas, grandes perdas,
acompanhando os mercados internacionais. Antes da crise por conta do novo
coronavírus, em meados de janeiro deste ano, o Ibovespa chegou a ficar na casa
dos 119 mil pontos.
Nem mesmo uma gama de medidas anunciadas internamente e no exterior contém os
ânimos do investidor local. Na B3, apenas Cosan (2,16%) e SulAmérica (0,09%)
subiam.
Papéis do setor de serviços públicos (utilities), como saneamento e
distribuição de energia, têm mais um dia de fortes quedas. Sabesp ON cai 8,57%,
enquanto que Cemig PN tem uma das maiores baixas do Ibovespa, de 10,22%. Fora
do índice, as Units de Sanepar recuam 6,29%. O mercado repercute alguns dos
anúncios de governos estaduais em meio à crise do coronavírus, como as isenções
de tarifas sociais pela Sabesp e pela Sanepar. “Os governos vão utilizar
as estatais para reduzir a crise, e as empresas de utilities entram
nisso”, afirma Gabriel Machado, analista da Necton Corretora.
Já o dólar abriu as negociações desta segunda-feira, 23, com uma alta de cerca
de 1%, em meio ao cenário caótico dos mercados financeiros ao redor do mundo. A
cotação iniciou o dia a R$ 5,08 e chegou à máxima, R$ 5,14. Na semana passada,
a moeda americana se manteve de forma firme acima de R$ 5, fechando a
sexta-feira, 20, a R$ 5,02. Após os primeiros momentos de pregão, a moeda
americana ficou flutuando na casa dos R$ 5,06.
Lá fora, as Bolsas de Ásia e Europa, após terem tido uma boa recuperação na
sexta-feira, 20, despencam nesta segunda-feira, 23. Tode este cenário se dá por
conta das incertezas em relação ao novo coronavírus, causador da Covid-19, nas
economias globais., à medida que governos fecham suas fronteiras, restringem
comércios e reduzem a circulação de pessoas para tentar conter a disseminação.
Como ainda não se sabe até onde essas consequências vão, os investidores estão
com grau de insegurança muito grande. Além disso, o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, tenta passar no Senado americando medida que deve injetar
cerca de US$ 1,5 trilhão na economia, mas, na noite de domingo, 22, não houve
acordo. São necessários 60 votos favoráveis, mas a discussão ficou no empate,
47 a 47.
Com este cenário, as Bolsas da Ásia fecharam em queda generalizada. A única
exceção foi o Japão, que não teve negociações sexa-feira, 20. Para se ter uma
ideia do tombo, o índice da Coreia do Sul, o Kospi, chegou a paralisar as
negociações no pregão, acionando seu “circuit breaker”. Já na Europa,
os índices também despencam, com quedas superiores a 4%. Os motivos também são
as incertezas nas economias mundiais.



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