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Famílias não têm aonde ir após desocupação de área no Antenor Garcia

27/05/2014 20h59 - Atualizado há 12 anos Publicado por: Redação
Famílias não têm aonde ir após desocupação de área no Antenor Garcia

Lucas Castro

A noite foi fria em São Carlos entre segunda-feira, 26, e terça-feira, 27. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), os termômetros marcavam na cidade 8,5ºC, considerando a madrugada mais gelada do ano até o momento no município.

Muitas pessoas podem não ter percebido, pois dormiram em camas quentes, cheias de cobertores e na mordomia que conquistaram ao longo do tempo, mas outras puderam sentir o tanto de frio que fez na madrugada, principalmente quem ficou sem ter para onde ir após a desocupação de um terreno de 20 mil m² da Prefeitura de São Carlos, no bairro Antenor Garcia.

O aposentado José Salvo Silvério, 57, para não dormir no relento, improvisou um barraco de 5X4 m no fim da Rua 3 e por ali mesmo ficou com uma amiga. “Fizemos um barraco improvisado na Rua 3 e dormi ali. Erguemos as madeiras e colocamos o que tínhamos dentro, foi difícil dormir, tinha toda esta situação e também estava muito gelado, a cama parecia que estava molhada, não esquentava”, contou.

Silvério relata que ele e a amiga pegaram os objetos que tinham e com a solidariedade dos vizinhos fizeram o que foi possível. “Pegamos as poucas coisas que a gente tem, como a cama de casal,  geladeira,  fogão, não poderia deixar estragar, os vizinhos se sensibilizaram com o nosso problema, com nosso sofrimento e ajudaram a fazer o acampamento, levaram janta, para não passar a noite na rua e no frio, passamos embaixo das madeiras, nem tinha nada, só umas madeiras mesmo, infelizmente é o lugar que nós temos para ir”, explicou.

No terreno onde ergueu o barraco e levantou acompanhamento só estão morando Silvério e sua amiga. Sobre ficar em um alojamento, o aposentado disse que não tem interesse por não ter onde deixar as coisas e que apenas poucos dias não resolve a situação. “Neste lugar só está eu e a minha amiga, não tem mais famílias. Uma noite só no albergue não resolve, onde eu ia deixar as poucas coisas que tenho? Também ninguém comentou sobre albergue, não falaram nada. A assistente social disse que ia providenciar um aluguel, mas que eu tinha que pagar do meu bolso, como vou fazer isso com salário de aposentando?”, questionou.

O sonho do aposentado é ser incluído em programas sociais e conseguir conquistar a casa própria. “Espero agora que me incluam em algum programa social de casa própria, um lugar digno para morar, porque tenho meu salário de aposentado, que é pouco, mas dá para pagar uma casinha que desconte do meu beneficio, o que eu não posso é estar nesta situação, um dia em um lugar, no outro dia em outro, sendo escorraçado, máquinas passando por cima das poucas coisas que a gente tem”, argumentou.

Para finalizar, Silvério estava recolhendo as madeiras do antigo barraco para aproveitar no que está montando. “Estou pegando o que sobrou das madeiras do meu barraco, porque eu precisei comprar, em parcelas e ainda estou pagando, para aproveitar em outro lugar até eles decidirem o que vão fazer conosco, pelo menos comigo e com a minha amiga, estamos aqui porque precisamos mesmo, não temos aonde ir”, encerrou emocionado.

Outro ocupante da área, Carlos Alberto Menezes, 48, que residia a seis meses no local não teve para onde ir e acabou dormindo na rua. “Eu dormi na rua, na calçada, ainda pedi uma coberta emprestada para não passar frio, não tenho destino, meu destino é debaixo de uma árvore, uma coberta, um plástico. A gente não sabe o que faz”, contou.

Um outro grupo de pessoas que não quis dar entrevista também acabou dormindo na rua, em frente a uma padaria que existe no bairro.

 

OUTRO LADO

No total, 55 famílias que residiam no aglomerado de casas foram atendidas na Secretaria de Cidadania e Assistência Social, sendo que a maioria informou que tinham onde ficar, fosse na casa de parentes ou amigos.

A Secretaria de Cidadania e Assistência Social orienta que quem ainda não passou por avaliação no departamento, que vá até a sede da pasta, com os devidos documentos e se cadastre para que seja incluído em algum programa social que se encaixe dentro da renda que recebe.

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