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Crescimento econômico com equilíbrio: oportunidades e desafios para o Brasil

Estado deve agir como mediador estratégico, equilibrando estímulos ao consumo e à produção

05/12/2024 20h30 - Atualizado há 1 ano Publicado por: Redação
Crescimento econômico com equilíbrio: oportunidades e desafios para o Brasil

Marcos Alberto Martinelli*

O Brasil atravessa um momento de transformações econômicas que trazem esperança e oportunidades para diversos setores. O crescimento da massa salarial, os ajustes no salário mínimo, a expansão do crédito e a queda do desemprego são sinais de uma recuperação que beneficia diretamente o mercado interno, ou seja, as pessoas. Micro e pequenos empresários, especialmente no comércio varejista e na prestação de serviços, têm motivos para comemorar, pois o consumo das famílias de baixa e média renda constitui o motor dessa dinâmica.

Paralelamente, grandes exportadores, principalmente de commodities, também colhem os frutos de um cenário global favorável. A desvalorização do real torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, enquanto o dólar elevado desestimula importações e fortalece a balança comercial. Mas, em meio ao otimismo, é essencial manter o equilíbrio.

Com maior poder de compra, o consumidor de baixa e média renda amplia a demanda por bens e serviços. Isso se reflete diretamente no faturamento de pequenos negócios, que formam a espinha dorsal da economia nacional. Sabemos que mais de 90% dos empregos dos brasileiros dependem da micro e pequena empresa e empreendedores individuais. A expansão do crédito pelo sistema financeiro, combinada com políticas de transferência de renda, como o aumento da renda básica, reforça esse ciclo virtuoso. Para os exportadores, a conjuntura é igualmente positiva. Não faltam crédito e incentivos para a produção agrícola ou industrial. A alta do dólar beneficia tanto a agricultura quanto a indústria, aumentando as receitas em moeda estrangeira e melhorando a competitividade dos produtos brasileiros. No entanto, é fundamental que esses ganhos sejam reinvestidos em inovação e modernização para sustentar o crescimento a longo prazo.

Apesar dos avanços, o Brasil não pode subestimar os riscos inflacionários. Embora atualmente controlada, a inflação exige monitoramento cuidadoso para evitar que erosione o poder de compra da população e neutralize os benefícios do crescimento econômico em curso.

O maior desafio é controlar a inflação sem recorrer exclusivamente ao aumento da taxa de juros, que já figura entre as mais altas do mundo em termos reais. Em novembro de 2024, a Selic oferecia um retorno superior a 7% ao ano acima da inflação, um patamar altamente atrativo para investidores. No entanto, elevar ainda mais essa taxa pode comprometer a recuperação econômica, dificultando o acesso ao crédito e sufocando os pequenos empresários, que dependem de condições financeiras favoráveis para investir e expandir suas atividades.

Ademais, as taxas de juros efetivamente praticadas pelos bancos permanecem excessivamente elevadas, agravando o custo do capital para a atividade produtiva. Esse cenário, embora crônico no Brasil, não deve ser aceito como inevitável. É crucial implementar medidas que tornem o sistema financeiro mais competitivo e acessível, aliviando o peso sobre quem gera emprego e renda. O movimento em direção ao crédito mútuo, via cooperativismo de crédito, é prova de que a sociedade pode buscar alternativas.

Em vez de restringir o consumo, o Brasil deve focar no aumento da produtividade e na oferta de bens e serviços. Programas como o Nova Indústria Brasil mostram como a modernização do parque industrial e a adoção de tecnologias podem criar um ambiente mais competitivo e sustentável, capaz de atender à demanda crescente sem pressionar os preços.

Além disso, o estímulo à qualificação da mão de obra, ao empreendedorismo e à inovação pode transformar o cenário econômico, gerando riqueza e empregos em bases sólidas.

Nesse contexto, é crucial que as políticas econômicas não sejam pautadas apenas pelos interesses do mercado financeiro, mas sim por uma visão desenvolvimentista que priorize o crescimento inclusivo. O “andar de cima”, que já se beneficia de altas taxas de retorno sobre seus investimentos, deve entender que o crescimento do mercado interno não é apenas uma política social, mas também um imperativo econômico para sustentar o dinamismo do país.

O Estado deve agir como um mediador estratégico, equilibrando estímulos ao consumo e à produção com a responsabilidade de manter a inflação sob controle. Essa abordagem permitirá que o Brasil avance sem sacrificar a prosperidade conquistada pelos setores produtivos e pela população mais pobre.

Micro e pequenos empresários, exportadores e consumidores têm muito a ganhar com as mudanças em curso, desde que os riscos econômicos sejam gerenciados com inteligência e prudência. O momento é promissor, apesar do tom alarmista que tem circulado nos últimos dias. É evidente que a realidade econômica é mais complexa do que pode ser retratada em poucas linhas, já que envolve diversas variáveis externas que fogem ao nosso controle. Esse cenário exige vigilância, serenidade e planejamento estratégico, além de ações coordenadas com o respaldo tanto da população quanto das forças políticas.

Vale lembrar que o governo atual foi eleito com um compromisso claro de promover o bem-estar social. Esse “contrato social” firmado nas urnas reforça a legitimidade de um projeto voltado ao desenvolvimento nacional, com ênfase no fortalecimento do mercado interno como motor de crescimento sustentável.

A prosperidade do Brasil dependerá de encontrar o equilíbrio ideal entre crescimento econômico, controle da inflação e inclusão social. Ao priorizar o desenvolvimento com foco em produtividade, inovação e eficiência, o país tem a oportunidade de construir um ciclo sustentável de riqueza e oportunidades para toda a sociedade.

 

*Doutor em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos, professor de Direito e Administração e presidente do Partido Social Democrático de São Carlos.

 

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