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De ponta cabeça

22/04/2015 14h01 - Atualizado há 11 anos Publicado por: Redação
De ponta cabeça

Causa bastante estranheza, num momento em que o povo brasileiro – principalmente o mais pobre – encara sacrifícios com o brutal aumento de impostos e com o generalizado custo de vida, o governo se permitir, por exemplo, aumentar de forma quase pornográfica o Fundo Partidário para 2015 em largas centenas de milhões de reais. Muitos perguntam por que o povo tem que sustentar, com seus impostos, os partidos políticos, quando deveriam ser seus correligionários a arcar com essa despesa. É algo que parece óbvio. Se eu sou militante do partido X, então deverei contribuir para ele, de forma devota e consciente: agora, se não sou filiado a nenhum partido, por que carga de água terei de contribuir com meus impostos para alimentar esse e outros? Outra coisa que está causando “azia” na população brasileira é a manutenção de um escandaloso número de ministérios, alguns deles com vertentes a ações quase virtuais, enquanto outros primam com sobreposições de funções, misturando secretarias com foro de ministério. Como meros exemplos, pergunta-se porque o Ministério da Educação não está fundido com o de Ciência e Tecnologia e com o da Cultura, ou porque o Ministério da Agricultura, Pecuária e Investimento não está unido ao do Desenvolvimento Agrário. É óbvio que, perante estes exemplos, imediatamente se ouvirão as vozes (ou os gritos!) daqueles que estão totalmente contra esta ordem de ideias, principalmente aqueles que, para muitos cidadãos, são tidos como os “chupa-tetas” do poder instituído. O certo é que, mesmo com protestos na rua, o povo brasileiro permanece como sempre foi – dócil e passivo, assistindo, quase que em transe, o voo picado dos corvos rumo a seus bolsos para bicarem as poucas migalhas guardadas com sacrifício. Se o que o Governo espera é um sacrifício do povo perante uma crise econômica, este, por sua vez, espera que o Governo seja o primeiro a dar exemplo, principalmente abolindo tudo que possa comprometer a recuperação da economia, começando exatamente pelo contingenciamento de despesas em sua própria casa e principalmente na sua família (ministros, secretários de estado e restante corte que vive pendurada, que nem parasita, nas franjas do poder). Para muitos brasileiros, o país está de ponta cabeça – é como se fosse uma reprise do filme “O Voo”, em que um avião voa invertido após uma séria pane, mas cuja tática se mostra ineficaz para evitar a queda da aeronave. O Brasil – que sempre foi um gigante, principalmente por sua população, que não desiste nunca -, se transformou, num ápice, em um verdadeiro anão andrajoso e esfarrapado.

(*) Jornalista das áreas de ciência e tecnologia – correspondente internacional

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