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“Comunicar ciência é um ato de cidadania”, diz jornalista

10/11/2012 15h38 - Atualizado há 13 anos Publicado por: Redação
“Comunicar ciência é um ato de cidadania”, diz jornalista

Primeiro doutor em jornalismo científico do Brasil, o professor Wilson Bueno proferiu na última quarta-feira (7) no Instituto de Ciência Matemáticas e Computação da USP a palestra Jornalismo de Ciência e a relação pesquisador X mídia.

 

“A ideia foi traçar algumas considerações sobre o processo de divulgação científica, de jornalismo científico, tentando chamar a atenção, não necessariamente para a dificuldade de ‘traduzir a ciência para o leigo’, mas mostrar uma série de fatores do ponto de vista político e econômico que constrangem, não só a produção de ciência e tecnologia, mas a divulgação de ciência e tecnologia, tais como os lobbies, os interesses extracientíficos que rondam a divulgação e a produção de ciência”, explica Bueno.

Segundo o jornalista, para quem “comunicar ciência é um ato de cidadania”, olhar os fatores que constrangem a produção e divulgação científica não é costume da literatura especializada no Brasil: “Em geral ela aborda a dificuldade de se falar com o leigo, o problema de acesso às fontes de ciência e tecnologia, a falta de qualificação da imprensa, coisas desse tipo. Mas há um problema que eu diria muito mais relevante, muito mais estrutural: é que essas coisas não acontecem de maneira isenta. O fato de existir uma imprensa que também está comprometida com determinados interesses, e as empresas, e as fontes comprometidas com certos interesses é que tornam a divulgação científica mais comprometida ainda do que parece ser”, diz o pesquisador.

Um dos objetivos da palestra, segundo o professor, foi o de questionar o papel da ciência, das entidades de pesquisa, dos cientistas, e da própria mídia: “Ela tem seus interesses comerciais, seus vieses políticos, às vezes ela é um pouco ingênua com respeito às fontes pretensamente científicas, e acaba favorecendo a divulgação de produtos e de processos, ou de produtos ou idéias, que não são necessariamente estritamente científicos, São pretensamente científicos”, explica o jornalista.

Chamar a atenção para essas realidades, no entanto, não tira a importância desse tipo de cobertura, que afetam a vida das pessoas, diz Bueno: “Temos que estar vigilantes, sejam os cientistas, sejam os jornalistas, pois a divulgação não acontece no vazio. Há um despertar de interesse para capacitação do jornalista para uma cobertura complexa como é a das áreas de ciência e tecnologia, ou seja, saúde, meio ambiente, agronegócio. Há aumento de interesse por parte dos leitores, ouvintes, telespectadores, pois são temas emergentes”.

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