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Brasil precisa de mais cientistas e projetos de longo prazo

26/09/2012 21h22 - Atualizado há 13 anos Publicado por: Redação
Brasil precisa de mais cientistas e projetos de longo prazo

A constatação de que há necessidade de mais cientistas e projetos de médio e longo prazo para a ciência e tecnologia no Brasil é do ex-presidente da Embrapa, Silvio Crestana, ao falar de tecnologia e inovação no agronegócio brasileiro, tema que vai abordar nesta quinta-feira (27/9) no Encontro Tecnológico Brasil-Alemanha, em Ribeirão Preto (SP).

 

“Estamos sem horizonte de médio e longo prazo, o que é uma preocupação muito grande, uma vez que ciência não dá para fazer no curto prazo”, diz. Embora as instituições, os atores públicos, principalmente, e privados tenham trabalhado intensamente, o pesquisador da Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP) avalia que a preocupação, no momento, é de curto prazo. Outro agravante apontado por ele para avançar é o número relativamente baixo de cientistas no país, um total de 150 mil, enquanto o Japão tem 550 mil, a China, 1 milhão e os Estados Unidos, 1,3 milhão. “Para sermos competitivos, temos que investir muito mais em ciência, em recursos humanos e outras áreas”, acredita.

Em sua palestra no evento, que será realizado no auditório da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), responsável pelo encontro junto a Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha, Silvio Crestana fará uma retrospectiva da história das instituições brasileiras de pesquisa agrícola e apresentará os desafios atuais para o setor

O pesquisador vai abordar a história e progresso do Brasil no agro, a partir da tecnologia e da inovação iniciadas nas instituições de pesquisa, como Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) até a criação da Embrapa, em 1973, o que representou um marco para o país.

Crestana vai apontar as contribuições e progressos do agro, que mudaram a paisagem brasileira, como a conquista do Cerrado, o desenvolvimento da soja tropical, fixação biológica de nitrogênio, a braquiária – uma gramínea trazida da África e adaptada -, e que viabilizou a pecuária de corte e leite no Centro-Oeste do país, o sistema de plantio direto como manejo mais sustentável, as máquinas e implementos agrícolas, o etanol, entre outras. “Esses são exemplos de inovação, de tecnologia que vem do agro e que fizeram sucesso a ponto de colocar o Brasil na posição de destaque mundial”, afirma.

Outra vertente que o pesquisador pretende discutir, sob o ponto de vista organizacional, sãos os desafios atuais, que estão por trás da tecnologia e da inovação no agro. De acordo com ele, no novo contexto da pesquisa agrícola brasileira, o país se tornou um grande mercado, que está atraindo capital e empresas de tecnologia e inovação, até multinacionais e, portanto, há mudanças na divisão de trabalho entre a empresa pública e a privada. “A Embrapa e outras instituições estão passando por redefinições, considerando que toda pesquisa de curto prazo e que tem negócios, que dá dinheiro, que tem impacto econômico, está sendo apropriada cada vez mais pelo setor privado”, avalia.

Do ponto vista tecnológico, o pesquisador acredita que há uma pressão sobre os biomas, com tendência a crescer, considerando a necessidade de produção de mais alimentos e mais energia para uma demanda crescente. “Nós estamos produzindo 160/170 milhões de toneladas de grãos, que é apenas um terço do que os Estados Unidos produz – cerca de 400 toneladas de grãos ou a China, que é mais de 450 milhões. Vamos ter de produzir muito mais. Para isso, a pressão sobre os biomas vai aumentar”, conclui.

Outro desafio apontado pelo pesquisador refere-se às mudanças climáticas, que exigirão esforços da pesquisa para desenvolvimento de tecnologias capazes de suportar a estiagem prolongada, chuvas, inundações. Há também a dependência dos insumos, de origem fóssil, além dos desafios das tecnologias convergentes.

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