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Manifestantes voltam às ruas em São Paulo; protestos atingem outras capitais

17/06/2013 22h50 - Atualizado há 13 anos Publicado por: Redação
Manifestantes voltam às ruas em São Paulo; protestos atingem outras capitais

Manifestantes ocupam mais uma vez ruas das principais cidades do país nesta segunda-feira, 17, mobilizados inicialmente pelo aumento do preço das tarifas de ônibus, em protestos que estão sob o olhar atento de autoridades após os incidentes violentos, especialmente na cidade de São Paulo.

 

Na capital paulista, a concentração dos manifestantes ocorreu no Largo da Batata, zona oeste do município. Vias próximas ao local, como a Marginal Pinheiros e as avenidas Faria Lima e Rebouças, começavam a sofrer reflexos da paralisação.

“Estamos aqui por causa da insatisfação com a corrupção e o mau uso do dinheiro público. Isso é uma revolta que devia ter acontecido há muito tempo”, disse um manifestante que se identificou apenas como Gustavo, de 34 anos, que estava enrolado numa bandeira do Brasil.

Essa é a quinta manifestação contra o aumento das tarifas de transporte público na cidade de São Paulo, que passou de 3 reais para 3,20 reais no início do mês.

Embora os três primeiros protestos tenham resultado em depredações de ônibus e estações de metrô, a manifestação realizada na quinta-feira foi a mais violenta. A Tropa de Choque disparou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha e a cavalaria da Polícia Militar ocupou a Avenida Paulista, via mais importante da cidade.

Foram registrados vários relatos de abusos de policiais, com cerca de 100 feridos, segundo o Movimento Passe Livre (MPL), entre eles jornalistas que estavam fazendo a cobertura do evento. Cerca de 230 pessoas foram detidas para averiguação, e mais de 10 PMs ficaram feridos.

Após as denúncias de abusos policiais, a Secretaria de Segurança Pública reuniu-se com os líderes do MPL e garantiu que a Tropa de Choque não acompanhará o protesto desta segunda-feira.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) também disse que o uso de bala de borracha em manifestações públicas está “proibido”. O secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella, também disse que as denúncias serão investigadas e, se confirmadas, os responsáveis serão punidos.

“Não será utilizado bala de borracha, aliás nós proibimos a utilização de bala de borracha em manifestações públicas, e, o mais importante, eu acho que nós podemos dar um grande exemplo de preservar o direito das pessoas de manifestação sem prejuízo para ninguém”, disse o governador Alckmin.

O MPL defende a gratuidade do transporte público e seus líderes têm afirmado que as manifestações só vão acabar quando o aumento da passagem for revogado, o que já foi descartado tanto por Alckmin quanto pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Ambos argumentam que o aumento da tarifa, inicialmente previsto para janeiro deste ano, foi postergado para junho e que veio abaixo da inflação acumulada desde o início de 2011, quando houve o último reajuste.

Embora a alta no preço da passagem tenha sido o estopim da manifestação, especialistas ouvidos pela Reuters entendem que o movimento emana uma insatisfação difusa, e já se espalhou para outras capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.

A convocação para as manifestações têm sido feitas pelas redes sociais, especialmente pelo Facebook, site no qual mais de 265 mil pessoas afirmaram que estariam presentes no ato desta segunda-feira em São Paulo.

Os manifestantes também têm reclamado do uso de recursos públicos nos preparativos para a Copa do Mundo e houve confrontos entre manifestantes e polícia antes de partidas da Copa das Confederações no Rio de Janeiro e Brasília. Em Belo Horizonte, nesta segunda, os manifestantes que protestavam na região central da cidade dirigiam-se ao estádio do Mineirão, que recebe o primeiro jogo da competição, Nigéria e Taiti.

 

Em Minas Gerais, o Tribunal de Justiça do Estado acatou ação cautelar proposta pelo governo do governador Antonio Anastasia (PSDB) e proibiu manifestações que bloqueiem vias públicas, principalmente às do entorno do Mineirão. (com reportagem adicional de Eduardo Simões)

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