“A alta das minhas filhas da UTI é meu presente”
Com o bebê em seus braços é a maneira que toda mãe quer sair da maternidade. Esse não foi o caso de Elaine Moretti. As gêmeas Loren e Lorena, filhas de Elaine Moretti, nasceram com 25 semanas de gestação e permaneceram por quase quatro meses internadas na UTI Neonatal da Casa de Saúde de São Carlos.
O presente de Dia das Mães de Elaine não poderia ser melhor: nesta semana, as meninas receberam alta da UTI e foram para o quarto, já com previsão para deixarem o hospital na próxima semana.
Elaine conta que esse é o maior presente de Dia das Mães que ela poderia receber e fala sobre as dificuldades de ter deixado o hospital sem suas crianças no colo, como é o costume de muitas mães quando saem da maternidade.
“Quando você vai ganhar um bebê, você espera um conto de fadas, assim como acontece nos casamentos. No meu caso, estou vivendo meu conto de fadas agora, depois de quatro meses de luta árdua vou poder levar minhas filhas para casa, fora de risco. Agradeço demais a toda a equipe que permaneceu cuidando de minhas filhas porque sem essa equipe não sei o que seria de mim e da Loren e da Lorena”.
Muitas dificuldades e medos fizeram parte da vida de Elaine desde janeiro deste ano. “A vida de mãe na UTI não é nenhum pouco fácil. Eu tive um descolamento de placenta com três meses de gestação. Aos cinco meses comecei a ter muitas contrações e entrei em trabalho de parto. Fiz a cesárea e a pediatra já trouxe as minhas filhas para a UTI Neonatal da Casa de Saúde. Não consegui ver minhas filhas no primeiro dia, somente no dia seguinte ao nascimento”, comenta a mãe das gêmeas.
Segundo Elaine, médicos nunca esconderam a real situação de suas filhas. “O médico não escondeu nada de mim e da minha família, ele explicou todos os riscos e esclareceu que o caso era muito grave”.
Uma das meninas estava em trabalho de sofrimento fetal. A mãe conta que ela entrou em coma, teve hemorragia pulmonar e intracraniana, convulsões e o rim chegou a paralisar. “Um dia cheguei na UTI, percebi ela muito quietinha e perguntei se as enfermeiras tinham induzido ela ao coma, elas me responderam que não, que ela tinha entrado no estado de coma sozinha. A médica falou que infelizmente ela não iria aguentar e não sobreviveria. Foi quando pedi para um padre batizá-la e depois disso pedi para pegá-la no colo, pois nunca havia segurado minha filha”, relembra Elaine.
“Falei para ela que estava aqui para o que fosse necessário, que eu iria amá-la do jeito que fosse. Ela escolheu ficar”, emociona-se.
Infelizmente, a garota terá uma sequela com uma perda severa de visão. “Um dia me deram um diagnóstico que minha filha não sobreviveria e minha filha sobreviveu. Hoje me deram outro diagnóstico e pode ser que daqui algum tempo esse mesmo diagnóstico possa ter mudado. A minha fé é muito grande”.
O medo e a insegurança foram dois sentimentos constantes para Elaine. “Muitas pessoas me ajudaram, mas às vezes tinha vontade de ir para minha casa e ficar quietinha, apenas rezando. A minha filha é um milagre, você tem que crer para conseguir. Deus é em primeiro lugar, mas o trabalho, a dedicação das meninas da UTI e o amor foram fundamentais. Se elas não tivessem feito de tudo para minhas filhas, talvez elas não sobreviessem mesmo”.
A mãe conta que atualmente, depois de tudo o que passou nesses últimos quatro meses, procura confortar as mães que estão na mesma batalha. “Quando eu entrei pela porta da UTI, não tinha ninguém que me desse uma segurança, uma palavra de apoio. Hoje, durante esses quatro meses que fiquei com minhas filhas na UTI, procuro apoiar as mães e compartilhar a minha experiência, pedir para que elas tenham fé, acreditem na recuperação de seus filhos. Acredito que atitudes assim podem também ajudar”.
PRIMEIRO DIA DAS MÃES
As garotas deveriam ter nascido em 30 de abril, no entanto, já irão completar quatro meses de vida na próxima semana. Para Elaine, essa é a maior felicidade em seu primeiro dia das mães. “É tudo indescritível, um sentimento que mexe muito conosco. Hoje elas estão fora de risco e logo vamos embora para casa. Esse é o meu presente de Dia das Mães. Uma grande felicidade, não tenho nem o que falar. Levar minhas filhas para casa é um sonho, depois de uma batalha dura e longa, vê-las em seus berços, em um quarto que preparei com muito carinho, é emocionante”.
Ela deixa um recado para aquelas mães que por ventura passem pelo mesmo que Elaine passou. “Quero falar para mães que tiverem que passar por isso não desistirem, que tenham muita fé e acreditem. Para elas saberem que por mais que pareça que não vai dar certo, o tempo vai passar, ela conseguirá, é só ter paciência e calma. Tem hora que é necessário colocar os sentimentos para fora. Quando tiver que rir ou chorar, que faça”



Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.