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“A questão do Ensino Médio no Brasil é dramática”, diz pesquisador

27/04/2013 13h27 - Atualizado há 13 anos Publicado por: Redação
“A questão do Ensino Médio no Brasil é dramática”, diz pesquisador

Em palestra realizada no Instituto de Química da USP de São Carlos no último dia 24, o presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade no Rio de Janeiro, Simon Schwartzman, afirmou que a questão do Ensino Médio no país é dramática. O pesquisador, que esteve a frente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 1994 e 1998, disse que aconteceu no Brasil uma coisa sui generis, que não ocorreu em nenhum outro país do mundo:

 

“O Ensino Médio caminhou para um sistema único, onde pessoas com características diferentes, com interesses e aptidões diferentes, têm todas de aprender a mesma coisa. O nosso sistema de ensino médio é igual jabuticaba: só tem no Brasil”.

Nos EUA, Europa e em países do oriente, diz o professor, os sistemas são diferenciados, oferecendo oportunidades para que os estudantes se aprofundem em áreas para as quais têm vocação.  

“Além disso”, diz Schwartzman, “há uma sobrecarga de matérias. São 17 disciplinas. Pouca gente tem condições de acompanhar, e os que melhor acompanham decoram aquela porcariada toda, e logo esquecem”.

Segundo ele, um dos fatores que explicam esse sistema é ideológico: “O argumento é de justiça social, dizendo que se houver distinção os mais pobres é que vão fazer os cursos técnicos. Mas acontece exatamente o oposto: dessa forma, os mais pobres ficam sem o técnico, sem um bom ensino médio, sem qualificação nenhuma”.

 

COMPARAÇÃO – Para ilustrar esse fato, Schwartzman apresentou dados sobre o ensino técnico de vários países. Na Alemanha, por exemplo, 51,5% dos alunos estão em cursos técnicos e profissionalizantes. No Chile e na Argentina, essa taxa é de 36,6% e 20,6%, respectivamente. No Brasil, apenas 14,2% dos estudantes de Ensino Médio fazem esse tipo de curso.

Um outro problema que ilustra a dramaticidade do Ensino Médio no país, aponta o pesquisador, são os níveis de aprendizagem: apenas 26,2% dos alunos terminam o Ensino Fundamental acima do nível considerado adequado na língua portuguesa. Quanto à matemática, esse índice cai para 14,7%.

E quanto ao Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) aplicado a alunos na faixa dos 15 anos em vários países, ele diz: “No mundo,funcionada assim: tem um pouco de gente muito boa, um pouco de gente muito ruim, e a maioria está na média. No Brasil, 45% estão abaixo do mínimo, e os que estão no máximo são estatisticamente irrelevantes”.   

 

Solução

Segundo Simon Schwartzman, para solucionar o que qualifica de “drama” do Ensino Médio, é necessário uma reforma do sistema, que passariam pelas seguintes alterações: 1) desentulhar o currículo; 2) criar opções dentro do currículo acadêmico (áreas de concentração); 3) permitir desenvolvimento do ensino técnico profissional médio desvinculado do currículo acadêmico; 4) evitar que ensino técnico se transforme em ensino de segunda categoria; 5) diversificar o Enem; 6) criar mais alternativas de formação técnico-profissional pós-secundária.

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