Trânsito na região se complica com excesso de caminhões
O fluxo de veículos na avenida Ayrton Salvador Leopoldino Junior se complicou na manhã de ontem. É lá que está instalada a empresa AMX Ambiental, responsável pela coleta das caçambas com entulho da construção civil após o fechamento da entulheira do Cidade Aracy: “Hoje (ontem) pela manhã encontramos os caçambeiros bloqueando toda a rua. Meu caminhão não conseguia sair para trabalhar”, disse Fernando Luiz Grosso, proprietário de uma empresa de reciclagem na região.
Ele completa: “Chamei a PM e veio o pessoal de trânsito. Daí eles desbloquearam a rua. Mas tem que sinalizar isso aqui. A prefeitura faz mudanças, mas não dá a infraestrutura. Se organizar, não tem transtorno. Mas do jeito que está não dá. Tem que melhorar”.
Dentre a equipe da Secretaria de Trânsito estava o próprio secretário da pasta, Celso Higashi: “Fiquei preocupado com a quantidade de caçambas estacionadas em via pública que possam vir a interferir no sistema de trânsito”, afirmou.
Questionado sobre o que será feito em relação ao trânsito na região, ele diz que há um estudo de pavimentação da via: “Mas a princípio vou solicitar a limpeza e o alargamento da avenida para que ocorra o mínimo de interferência no fluxo de carro”.
Segundo a empresa AMX Ambiental, na sexta-feira foram descartadas 110 caçambas, enquanto que ontem, 130.
ADAPTAÇÃO – Para Alexandre Junior Graci, motorista de uma empresa de caçambas que estava no local, é possível que, com a mudança, haja prejuízos: “Acho que até o pessoal se acostumar com o novo preço, vai baixar um pouco a demanda da caçamba. Porque a cobrança agora é por metro cúbico. Acabei de descartar uma caçamba de 5m³ de entulho. Isso daria R$ 100. A gente cobra de aluguel R$ 85. Então agora vai somar ao preço do aluguel o preço do descarte”.
Airton Manzano, sócio da empresa AMX Ambiental, afirma que os preços cobrados condizem com o de outras empresas que prestam o mesmo serviço na região.
Segundo o proprietário de uma empresa de transporte de caçamba que estava no local, em uma manhã ele costumava alugar 20 caçambas. Com o novo preço agora cobrado, ele diz ter alugado apenas uma na manhã de ontem. No entanto, ele reconhece que o preço cobrado pela empresa condiz com o cobrado em cidades como Araraquara e Ribeirão Preto.
Mão de obra realocada
Das 14 pessoas que fazem parte da Cooperativa Araucária, que atuava na separação de detritos da construção civil na entulheira do Cidade Aracy, 4 estão trabalhando na AMX Ambiental: “Nós quatro estamos trabalhando aqui, mas os outros estão parados”, explica Pablo Ricardo, de 25 anos, que por 4 anos trabalhou na entulheira que foi fechada: “Nós vendíamos o material por conta própria e pagávamos a turma. Passamos o dia recolhendo, vendemos os entulhos e depois dividimos o dinheiro. Agora, com o fechamento, vamos ver direitinho o que vai acontecer”.
A prefeitura informa que a Cooperativa não tem ligação com a administração.
Descarte ilegal
Na semana passada, ao anunciar que o serviço de entulheira seria passado à iniciativa privada, a prefeitura informou que haveria uma “rígida fiscalização” para coibir descartes ilegais. Questionada se a fiscalização já estava ocorrendo, a prefeitura informou que, como o descarte ainda está sendo feito gratuitamente na empresa (fruto de acordo entre as partes), as equipes ainda não começaram a fiscalizar.
A reportagem encontrou, nos últimos dias, diversos pontos de descarte ilegal de entulho em várias regiões da cidade: no bairro Antenor Garcia, atrás do campus II da USP e, ontem, na própria região da avenida Ayrton Salvador Leopoldino Junior.
Fábricas de bloco da Prohab
A Fábrica de Artefatos de Cimento (FAC) da Prohab, que produz piso intertravado de concreto (bloquete), blocos, canaletas, meio-bloco, meia-canaleta, guias, miniguias, banco de concreto para praças, está fora de funcionamento, segundo pudemos apurar no local, há cerca de um mês.
Segundo a prefeitura, o fechamento se deve a um processo de reabilitação e recuperação de máquinas; processo cuja licitação já está em andamento.



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