Maioria é a favor da redução da maioridade penal
O assassinato do estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, por um adolescente de 17 anos na última terça-feira, durante um assalto, fez ressurgir as discussões sobre a maioridade penal. A reportagem ouviu 20 pessoas, na região central e no campus da Universidade Federal de São Carlos, além de um especialista, para saber a opinião deles sobre o tema
No centro e na UFSCar, ouvimos estudantes, comerciários, donas de casa, desempregados, universitários, empregadas domésticas, faxineiras e aposentados. Pessoas entre 15 e 78 anos. Das 20, apenas uma é contra a redução da maioridade.
“Acho que deveria, sim, ter redução. Hoje em dia são os menores que estão cometendo os crimes. Se são capazes de fazer isso, são capazes de assumi”, diz Elza, 59, professora e ex-diretora de escola.
“Os adultos usam o menor para fazer as coisas. O adulto sai fora e o menor não pode ir preso. Então o menor tem, sim, que ir para cadeia”, diz o Antônio Francisco, aposentado de 67 anos.
Para alguns tipos de crime tem que ter maior punição, sim, diz Carla, 30, auxiliar de manipulação, que completa : “Acho que deveriam rever essas leis”.
“Tenho meus filhos, meus netos…Sou super a favor: quem estupra, quem mata. Tem que ter tudo de ruim para essas pessoas, porque acabam com a família da gente”, diz Aparecida, aposentada de 59 anos. “Os jovens cometem crimes e sabe que sairão impunes, e não têm medo”, diz Sandra, 34, que é a favor, como Bruna, 25, que diz: “Hoje em dia muita gente começa a entrar no crime cedo, às vezes por falta de recursos, às vezes por impunidade. Os maiores usam os menos para droga, roubo, tudo”.
Para Aleph, estudante de Engenharia Física, de 19 anos, a punição deveria ser a partir dos 17 anos: “A partir dessa idade acho que já não é mais responsabilidade dos pais”. Com a mesma idade, a estudante de Ciências Sociais, Virginia, não acha certo a redução da maioridade: “Não acho que vá resolver. É preciso antes todo um trabalho de formação desses jovens. O sistema penitenciário não resolve: como dizem, a pessoa sai pior do que chega”.
É também essa a posição Eduardo Burihan, presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB de São Carlos: “Será que a redução da maioridade penal é o quanto basta para cessar a criminalidade? Será que os problemas não estão na estrutura social? Será que as penitenciárias estão cumprindo seu papel? Estão inserido o sujeito na sociedade? É preciso que o Estado esteja presente na vida do cidadão, principalmente nas classes menos favorecidas, desde a infância”, diz.



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