Marco Villa “aprova” 2º turno em São Carlos
O historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar, Marco Antônio Villa, elogiou a iniciativa do vereador Maurício Ortega (PSDB), que está lançando as sementes de uma campanha para que São Carlos possa ter segundo turno nas eleições municipais de 2016, através de uma agressiva busca de novos eleitores, alistando os jovens de 16 a 18 e outras pessoas que ainda não têm título de eleitor.
Villa ressalta que caso São Carlos atinja o número de 200 mil eleitores até outubro de 2015, deverá ter eleições em primeiro e segundo turno no ano seguinte. “Na verdade é uma meta bastante ousada conseguirmos mais de 30 mil eleitores em menos de três anos. Mas vamos supor que a cidade se mobilize e consiga esta proeza. Será positivo em todos os sentidos”.
Na opinião de Villa, que é um estudioso da política nacional, o segundo turno sempre obriga os candidatos a discutirem os problemas reais do município. “O primeiro turno geralmente é tumultuado e contaminado com muitos candidatos, alguns deles com o único objetivo de atrapalhar algum concorrente e outros sem qualquer objetivo. O segundo turno é uma outra eleição, mais arejada e que sempre obriga os candidatos a mostrarem quais são seus projetos reais para a solução das questões locais”.
LEGITIMIDADE – A obrigatoriedade de uma vitória no segundo turno com maioria absoluta do eleitorado, com mais de 50% dos votos válidos, também é enfatizada por Villa. “Sem dúvida, o eleito torna-se mais legítimo, pois contará com a grande maioria dos eleitores apoiando o projeto que ele apresentou durante a disputa eleitoral”.
TEMPO IGUAL EM RÁDIO E TV – Além disso, o analista cita a questão do tempo de rádio e TV que passa a ser igual para os dois concorrentes. “Com o tempo igual de tempo no horário eleitoral, há uma disputa mais justa e uma melhor qualidade do debate. Passa-se a discutir o futuro da cidade”.
Não bastassem todos estes fatores positivos, o professor da UFSCar cita ainda que tal campanha seria inédita e saudável para a cidadania. “Sem dúvidas seria ótimo para o país. Desconheço outro município que tenha lançado uma iniciativa deste tipo. Não podemos nos esquecer que se esta campanha ganhar a mídia nacional, poderemos ter uma disseminação de campanhas desta forma. Afinal, devem existir muitos e muitos municípios mais próximos de 200 mil eleitores do que São Carlos e que podem imitar a ideia, conquistando o segundo turno”.
DESAFIO GIGANTE – Por outro lado, o historiador alerta que o desafio não é pequeno. “Buscar trazer os jovens para as eleições é algo saudável, mas também bastante complicado. A grande maioria dos adolescentes enxerga a política como algo ‘chato’ e associado a temas negativos, como ‘corrupção’. E não são só os jovens. É só analisarmos o número de votos brancos e nulos, além da absurda abstenção de eleitores. Trazer os jovens para perto da política seria ótimo para o fortalecimento da democracia. Afinal, o direito dos jovens, a partir de 16 anos, poderem votar, foi uma conquista da Constituição de 1988, obtida com muita luta”.
Villa recomenda muita tenacidade aos organizadores da campanha pelo 2º turno em São Carlos. “Com todos os obstáculos que existem pelo caminho, será necessário muito esforço, coragem e ânimo para São Carlos buscar tal objetivo, que seria um feito. Só podemos torcer para que dê certo, afinal, é uma busca de fortalecimento da democracia. Afinal, lutamos tanto para acabar com o autoritarismo. Mas são os problemas do Brasil, um país com pouquíssima tradição democrática”



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