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Lideranças aprovam nova política industrial

Propostas vêm na esteira de conjunto de desafios e transformações que nações enfrentam no mundo globalizado

23/01/2024 23h57 - Atualizado há 2 anos Publicado por: Redação
Lideranças aprovam nova política industrial Foto: Divulgação

Transformações são agravadas por necessidades de retornos de crescimentos dos PIBs em todos os continentes

 

O plano de retomada do setor industrial do Brasil, lançado anteontem, segunda-feira (22), tem sinal verdade das lideranças do setor econômico de São Carlos. O projeto, elaborado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) e denominado Nova Indústria Brasil (NIB) estipula a política industrial que vai impulsionar o desenvolvimento nacional, até 2033, com sustentabilidade e inovação.

A nova política busca melhorar diretamente o cotidiano das pessoas, estimular o desenvolvimento produtivo e tecnológico, ampliar a competitividade da indústria brasileira, nortear o investimento, promover melhores empregos e impulsionar a presença qualificada do País no mercado internacional.

Serão R$ 300 bilhões para financiamentos destinados à nova política industrial até 2026. Além dos R$ 106 bilhões anunciados na primeira reunião do CNDI, em julho, outros R$ 194 bilhões foram incorporados, provenientes de diferentes fontes de recursos redirecionados para dar suporte ao financiamento das prioridades da Nova Indústria Brasil.

MANUTENÇÃO DOS EMPREGOS

Quem também está otimista com esta iniciativa do Governo Federal é o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté, Vanderlei Strano.  “O movimento sindical vem se desdobrando para garantir a manutenção dos empregos, por isso, precisamos de uma política industrial eficaz e o anúncio do governo com a ‘Nova Indústria Brasil’ vem nesse sentido para fazer a economia voltar a girar”, ressalta ele.

O mercado externo foi um dos pontos destacados pelo sindicalista. Podemos ver com otimismo as propostas anunciadas, uma delas de extrema importância, que é a criação de uma política de exportação e importação para o país, para desburocratizar o processo de exportações, abrindo assim novas oportunidades para a economia brasileira no cenário internacional”, conclui.

 

 

AVALIAÇÃO

Economista enxerga ‘reindustrialização’ entre metas do Governo 

O economista e professor da UFSCar, Luíz Fernando Paulillo vê o projeto industrial do governo como atual, mas também enxerga desafios para sua implementação e aponta indícios de “reindustrialização”. “A política industrial brasileira lançada em 2024, com novos eixos e contornos programáveis, vem na esteira de um conjunto de desafios e transformações nas quais as nações estão enfrentando e que foram agravadas pelas necessidades de retornos de crescimentos dos PIBs em todos os continentes. Consequências da crise de 2008 e do aprofundamento da pandemia do Covid. Os Estados Unidos já tinham sinalizado e posto em prática esse vetor econômico desde o início do governo Biden, com uma política industrial desenhada e apoiada em um trilhão de dólares. É a onda do chamado “Reshoring”, cujo vetor principal é o de trazer para o seu país, ou o mais perto possível, a produção (e boa parte da cadeia de suprimentos) que foi para a Ásia. Claro que se trata de um retorno industrial com novos conteúdos tecnológicos, organizacionais e programáticos, como o da bioeconomia, a inserção da tecnologia da informação em uma dose nunca vista antes na indústria, as acelerações das inovações tecnológicas no setor da saúde, etc”, destaca ele.

Para Paulillo, o Governo Lula tenta embarcar neste novo momento histórico. “O governo brasileiro entendeu que não pode ficar de fora desse caminho como vetor de recuperação de sua economia. Ainda mais que a produtividade brasileira vem em queda livre, junto com toda a América Latina, a décadas. Então, esse movimento mundial de “reshoring”, independente do grau em que aconteça, pega a economia brasileira em persistente queda de produtividade e de desindustrialização. A produtividade total de fatores, um índice de medida calculado pela FGV para medir a eficiência da produção nacional, recuou 36,8% entre 1980 e 2023.

Ele vê muitos desafios pela frente. “Os eixos e programas já anunciados como integrantes dessa política industrial brasileira estão orientados, em termos gerais, para esse desafio nacional. Esses programas estarão concentrados nas entidades BNDES, FINEP e EMBRAPII. Acertadamente. No entanto, muita coisa ainda precisa ser detalhada no plano de melhoria burocrática. O ‘reshoring’ mundial vem enfatizando isso. Os Estados Unidos já são muito bons nisso, em facilidades de regras e normas para agilidades burocráticas, trocas intersetoriais e interestaduais, etc. Por exemplo, no prazo de registro de patentes, o plano dessa nova política industrial é trazer para 2 anos no máximo. Hoje, a demora para registrar uma patente no INPI é, em média de 7 anos. Então, você estimula mais projetos de inovação entre indústria e universidades, como é o caso da Embrapii da UFSCar, mas não pode ter essa demora em registrar uma patente. Isso é perda de competitividade diante de Taiwan, Japão, China. Um custos de transação irrecuperável numa competição global. Ou seja, é preciso reduzir burocracia, porque a Ásia criou tanta facilidade para reduções de custos de transações, que o Ocidente demorou para entender. E o Brasil então, nem se fala. Com apenas este exemplo, deixo claro como essa política industrial tem bons eixos e programas de execução, mas precisamos de normas e regramentos de apoio, estímulo e operacionalidade que precisam estar no mesmo sentido. Se está lançada, que venham agora os refinamentos de cada programa, ou seja, os detalhes para agilização de cada objetivo programático”, conclui o especialista.

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