Indústria de São Carlos fecha 978 vagas em 10 anos
Perda de competitividade do produto nacional, automação e migração de empresas para outras cidades estão entre causas da redução

O setor industrial de São Carlos eliminou, nos últimos dez anos, entre 2013 e 2022, um total de 978 empregos formais. O dados são do CAGED (Cadastro de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho. Neste período, algumas empresas do segmento fabril fecharam as portas e outras migraram para outros municípios ou investiram em tecnologia.
Mesmo assim, dados da Fundação SEADE revelam que a indústria são-carlense que reúne produção de materiais escolares, compressores herméticos, motores automotivos, eletrodomésticos, produtos têxteis, produtos alimentícios, máquinas e equipamentos agrícolas e vários outros, tem forte representação na formação do PIB (Produto Interno Bruto).
Para o diretor regional do CIESP São Carlos, Marcos Henrique dos Santos, o fechamento das vagas de trabalho tem mais de uma causa. “Um deles é a perda de competitividade do produto nacional em relação aos importados, provoca o fechamento de algumas indústrias ou mudança da linha de produtos fabricados. Outro fator é que a indústria para aumentar sua competividade, investiu em automação de alguns processos industriais; e por último temos a migração de indústrias para outras cidades”, explica.
Santos ressalta que o processo de desindustrialização brasileira também atingiu São Carlos. “Há 10 anos o Brasil estava entre as 10 maiores potencias indústrias do mundo, hoje estamos na 15ª posição, perdendo posição para países emergentes como nós, como, por exemplo, o México, a Indonésia e a Turquia. Dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas, econômicas e custos de logística influenciam negativamente, encarecendo os preços dos produtos levaram a isso”, destaca o empresário.
Para Santos, para reverter este cenário, é preciso um conjunto de medidas que favoreça o desenvolvimento da indústria no país. “Precisamos de forte investimento em educação, cursos de formação tecnológica para preparar a mão de obra, acelerar a Reforma Tributária permitindo que o industrial foque no seu negócio e não gaste energia com burocracia e tributos complexos como temos hoje, estimular a inovação, com financiamento a pesquisa e desenvolvimento, com linhas de financiamento de baixo custo e acessível a pequena e média indústria e incentivo à exportação, com programas que capacitem os empreendedores a buscar o mercado internacional”, explica ele.
Para o diretor do CIESP, o Governo Federal precisa dar uma atenção especial para o segmento fabril. “O Brasil fez esta opção alguns anos atrás, quando optou pela agricultura, com a criação da Embrapa e programas de custeio como o Plano Safra. Um esforço semelhante precisa ser implementado para o desenvolvimento da indústria nacional”, comenta.
VALOR ADICIONADO
Apesar de todos os problemas, os números mostram uma indústria forte no município. A participação da Indústria no total do Valor Adicionado de São Carlos é de 31,44%, maior do que a da Região Central, que chega a 28,71% e do Estado de São Paulo que é de 21,12%.
“A cidade sempre teve esta forte vocação industrial, e tem uma indústria diversificada, que fabrica produtos de maior valor agregado. Aqui se produz de tudo um pouco, desde máquinas e equipamentos – que é nosso setor mais pujante, passando por equipamentos médicos hospitalares, indústria aeronáutica e automação. Mas nos últimos anos, esta força da indústria ocorre muito mais pela inciativa dos empreendedores locais, do que de uma politica de estímulo institucional”, afirma Santos.
Segundo ele, a Prefeitura Municipal também tem missões a cumprir para fortalecer o setor. “Hoje a cidade carece de uma infraestrutura que permita a expansão das indústrias instaladas e a atração de novos investimentos, precisamos com urgência definir um novo distrito industrial, trabalhar na questão da infraestrutura, como a internacionalização do aeroporto para receber e exportar cargas, a duplicação das rodovias que nos ligam a Ribeirão Preto e a Jaú, por exemplo”, avalia o empresário.
SALDO DE EMPREGOS NA INDÚSTRIA (FONTE: CAGED)
2013 + 725
2014 – 567
2015 -1.317
2016 -696
2017 -541
2018 -191
2019 -259
2020 +238
2021 +1.738
2022 -108
TOTAL = -978



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