Comércio de São Carlos fecha 38 vagas em 2023
Economista da FecomercioSP, Jaime Vasconcellos, afirma que Caged faz acender “sinal amarelo” para setor varejista do município

O comércio varejista de São Carlos fechou 38 postos de trabalho formais entre janeiro e julho de 2023. Os números revelados pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho apontam que houve um recuo do setor, que nos dos anos anteriores apresentou, no mesmo período, números positivos. Em 2021 foram gerados entre janeiro e julho um total de 174 vagas e, no mesmo período, em 2022, houve saldo positivo de 301 empregos.
O consultor econômico da FecomercioSP, Jaime Vasconcellos, apresentou e analisou, em entrevista coletiva, os dados na manhã de ontem no SENAC, em São Carlos. “O varejo está perdendo força. O setor varejista está vivendo um sofrimento perante outros setores que estão com resultados melhores. O setor de serviços, segundo o IBGE, no Estado de São Paulo cresceu 5% nos últimos 12 meses e o comércio cresceu somente 0,9% no mesmo período. As pessoas estão investindo renda em serviços, deixando de adquirir produtos. Assim, o varejo perde força de investir e contrata menos ou até corta mão-de-obra”, ressalta Vasconcellos.
O economista destaca que os problemas do varejo não são exclusivos de São Carlos, mas abrangem toda a economia nacional, inclusive o Estado de São Paulo e também cidades de porte parecido com o de São Carlos, como Araraquara e Rio Claro.
Segundo ele, em 2021 e 2022 houve um grande processo de retomada das compras no período pós-pandemia. “Naquele período, o comércio varejista reabriu com mais rapidez que o segmento de serviços. Agora é o setor de serviços que está concorrendo diretamente com o comércio. Basicamente, entre trocar a TV e a geladeira ou jantar fora e viajar, a pessoa está fazendo a segunda opção”, explica.
De acordo com o especialista, além da concorrência de outros setores, o comércio também enfrenta outros problemas, como também a taxa de endividamento e inadimplência muito elevada e a dificuldade para o crédito. “Mesmo com os bancos emprestando bastante, o custo deste crédito está muito alta. Então, aquelas atividades do varejo onde há necessidade de crédito para aquisição de mercadorias, como são o de móveis e eletrodomésticos, a situação é mais crítica. O setor de eletrodomésticos, informática, comunicação e móveis de São Carlos que em 2022 gerou 156 vagas neste ano caiu para apenas 6 vagas geradas”, afirma Vasconcellos.
Outro exemplo citado por ele é o segmento de material de construção, onde a maioria das compras é feita por cartão de crédito. Entre janeiro e julho de 2022 este setor gerou 75 vagas. Em 2023, no mesmo período, gerou apenas 29. “O emprego continua crescendo, mas num patamar mais fraco. Temos segmentos com a situação pior do que o da desaceleração de geração de emprego com saldo negativo. É o caso dos supermercados e hipermercados e lojas de departamento. No ano passado houve saldo positivo de 18 postos de trabalho e neste ano houve saldo negativo de 98 vagas. A tendência é de que com o chegada do final do ano haja, com as datas festivas, inverter os resultados. Mas é um ano de sinal amarelo, de andar meio de lado na geração de vagas. Devemos começar 2024 assim. Enquanto tivemos juros altos, endividamento e inadimplência altos, a situação deve se manter assim”, comenta ele
COMÉRCIO VIRTUAL
O consultor econômico da FecomercioSP afirma que não pode haver comércio físico x virtual. Segundo ele, os dois têm que andar juntos e as lojas físicas têm que estar nas redes sociais. Vasconcellos explica que as lojas precisam utilizar o mundo virtual não só para vender, mas também para apresentar sua loja, divulgar seus produtos, fazer gestão de caixa, gestão de fornecedores e etc. “Não há mais espaço para a loja física não estar no virtual”, conclui ele.



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