Paulillo aprova âncora fiscal e prega redução de juros
Governos de países, especialmente, os desenvolvidos, estão dispostos a facilitar propensão ao consumo e ao estímulo da ação empreendedora

“Precisamos de empreendedorismo e não de rentismo. Muitos achavam que o presidente do BC aguardava a nova âncora fiscal. Ela foi apresentada e bem recebida”
“Temos um número grande de jabutis e que foram criados ao longo das décadas. Todos os governos prometem essa reforma”
Economista formado pela UNESP de Araraquara e professor da UFSCar há muitos anos com vários livros publicados, Luiz Fernando Paulillo é um dos mais respeitados economistas da região. Nesta entrevista exclusiva concedida ao PRIMEIRA PÁGINA ele elogia a âncora fiscal criada pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad e concorda com o coro em torno da redução da taxa de juros do Brasil e afirma que o O IVA (Imposto sobre Valor Agregado) estará em discussão na reforma tributária
PRIMEIRA PÁGINA – Como o senhor vê este debate entre Lula e Roberto Campos Neto sobre a taxa de juros do Brasil? Quem tem razão?
LUIZ FERNANDO PAULILLO – O Brasil tem a maior taxa real de juros do mundo (que é a taxa de juros nominal descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). Ela está em 8,52%, tendo México com 4,2%, Hungria com 3,5%, Colômbia com 3,18%, Indonésia com 2,20% e Chile com 1,79%. Tem ainda e somente mais 6 países (Filipinas, África do Sul, Hong Kong, Índia, Argentina e Malásia) com taxa real de juros acima de zero e o restante dos países está com juros reais negativos. Os governos dos países, especialmente, os desenvolvidos, estão dispostos a facilitar a propensão ao consumo e ao estímulo da ação empreendedora ou do investidor (em vez de ações rentistas), porque o mundo enfrenta a recuperação após a pandemia e o problema de preços com o fornecimento estreitado com a guerra na Ucrânia. A inflação atual no Brasil é de oferta. Não é de demanda. A taxa nominal de juros no Brasil (Selic) precisa começar a baixar. Não será despencar de uma vez ou em poucos meses, mas o BC precisa começar a sinalizar através de uma primeira pequena baixa e, assim, sucessivamente. Não faz sentido essa dose tão alta do “remédio” (juros). Precisamos de empreendedorismo e não de rentismo. Muitos achavam que o presidente do BC aguardava a nova âncora fiscal. Ela foi apresentada e bem recebida. Não vejo um elemento forte agora para este patamar. Leio as atas do BC e não vejo elementos fortes.
PP – Qual sua opinião sobre a nova âncora fiscal do Haddad?
PAULILLO – Achei boa, e o próprio setor financeiro também está achando. A nova regra fiscal limitará o crescimento da despesa a 70% da variação da receita dos 12 meses anteriores. O novo arcabouço combinará um limite de despesa mais flexível que o teto de gastos com uma meta de resultado primário (resultado das contas públicas sem os juros da dívida pública). Dentro desse percentual de 70%, haverá um limite superior e um piso, uma banda, para a oscilação da despesa, com desconto do efeito da inflação. Em momentos de maior crescimento da economia, a despesa não poderá crescer mais de 2,5% ao ano acima da inflação. Em momentos de contração econômica, o gasto não poderá crescer mais que 0,6% ao ano acima da inflação. Assim, evitará o descontrole da dívida pública e deve ajuda na estabilidade. E elimina até o efeito de cauda para muitos que achavam que a dívida poderia ter uma trajetória mais explosiva.
PP – Como você vê a reforma tributária? Acredita numa tributação maior do patrimônio e menor do consumo?
PAULILLO – A reforma é importante também para consolidar o arcabouço fiscal que entrará em poucos meses. Temos um número grande de jabutis e que foram criados ao longo das décadas. Todos os governos prometem essa reforma. Creio que a disposição do ministérios atual com o arcabouço fiscal cria uma nova justificativa. O IVA (Imposto sobre Valor Agregado), substituindo vários outros impostos, estará mais uma vez na pauta econômica do país.



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