Seis PMs são presos por envolvimento em chacina
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, reuniu a imprensa em entrevista coletiva às 20h desta quinta-feira, 24, para falar sobre as investigações que prenderam temporariamente seis policiais militares acusados de matar sete pessoas numa chacina. O crime aconteceu na região do Campo Limpo, zona sul de São Paulo.
A prisão temporária de 30 dias dos suspeitos foi decretada hoje pelo juiz do 1º Tribunal do Júri de São Paulo. O crime foi registrado como homicídio doloso.
Foram detidos o sargento Adriano Marcelo do Amaral, de 40 anos, o soldado Carlos Roberto Alvarez, de 38 anos, e a cabo Patrícia Silva Santos, de 36 anos. Eles integravam a Força Tática e, segundo Grella, desligaram o GPS da viatura durante 54 minutos, no mesmo dia e horário do crime.
Também foi preso o soldado Eric Gilberto Francisco, de 25 anos. O exame de balística da arma que ele usava no dia resultou “positivo” nas vítimas. Foram três disparos dessa arma em duas vítimas.
Na coronha de uma espingarda calibre 12, foi encontrado sangue. Esta arma, entretanto, não tinha registro de saída, o que levou à prisão temporária o armeiro Anderson Francisco Siqueira, soldado de 36 anos. “Ele facilitou a saída das armas”, explicou o secretário.
Outro soldado, Fábio Ruiz Ferreira, de 29 anos, teve sua casa revistada – lá, a polícia encontrou toucas ninjas e placas frias de veículos que teriam sido usadas nas ações. Todos os presos negaram a participação no crime.
A prisão dos suspeitos se deu, segundo o secretário, “graças à união das forças” do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Corregedoria da Polícia Militar e da técnica da Polícia Científica, que investigam o caso.
As investigações não estão encerradas. Segundo o secretário, há suspeitas de que mais policiais possam estar envolvidos no crime, nada ainda confirmado pelas apurações. “Todas as hipóteses devem ser investigadas”, afirmou.
O crime
Sete pessoas morreram e outras duas ficaram feridas após serem baleadas por volta das 23h do dia 4 de janeiro deste ano, num bar localizado no Jardim Olinda, região de Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. Segundo a polícia, eles foram atacados por homens que estavam dentro de um carro.
Policiais militares foram chamados para atender a ocorrência, e, no local, constataram algumas vitimas já mortas, na entrada e atrás do balcão do bar. Um adolescente chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Outras duas vítimas, também foram socorridas e resistiram aos ferimentos.
O caso havia sido registrado como homicídio qualificado no 89º DP (Morumbi).
Motivação
Como as investigações ainda estão em curso, segundo Fernando Grella, não é possível dizer o que motivou o crime, mas tudo indica que foi uma retaliação às filmagens divulgadas por um canal de TV que mostravam policiais matando uma pessoa.
O secretário da Segurança Pública destacou ainda que a polícia teve coragem para apurar e esclarecer os fatos. “Confiem na polícia. Estar aqui é um motivo para isso.”
“A polícia está atuando neste momento doloroso, não queríamos estar aqui”, declarou Grella. “As instituições são formadas por homens e têm problemas. Só não podem jogar os problemas para debaixo do tapete.”
“Estamos aqui cumprindo o nosso dever”, concluiu o secretário Fernando Grella.



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