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Crise social deve se aprofundar em 2023, alerta especialista

Para Guilherme Rezende, brasileiros pagarão caro pela renúncia fiscal promovida pela PEC Kamikaze

02/08/2022 23h54 - Atualizado há 4 anos Publicado por: Redação
Crise social deve se aprofundar em 2023, alerta especialista Divulgação

Se o ano de 2022 está sendo difícil para todos com o Brasil mergulhado na crise econômica, com inflação alta, juros subindo e preço dos combustíveis ainda longe do suportável, 2023 vai ser muito pior. É o que alerta o administrador público formado pela UNESP Araraquara, Guilherme Rezende. De acordo com ele, dentro de seis meses, muita gente vai chamar 2022 de “feliz ano velho”, numa analogia ao clássico livro de Marcelo Rubens Paiva.

“O ano de 2023 será um ano muito difícil, necessariamente.  Todas as previsões de inflação, taxa de juros, rearranjo das cadeias logísticas, das cadeias de produção global. Tudo mostra que o próximo ano não será fácil para os países mais desenvolvidos e muito menos países como o Brasil, que não se desenvolveram na plenitude”, ressalta Rezende.

A agudização da crise, como define Rezende, está tendo algumas de suas sementes plantadas agora, com a implementação da chamada “PEC Kamikaze” ou “PEC das Bondades”, com a redução dos impostos, como o ICMS no valor da gasolina e no etanol e no aumento do valor do Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600.  “As políticas públicas podem sofrem com a redução de recursos, seja na quantidade de atendimentos, seja na qualidade destes atendimentos”, comenta.

Segundo ele, os governos municipais, até agora, nada fizeram em termos de planejamento para enfrentar a  futura crise e continuam atuando como se não existisse um gigantesco problema para se encarar logo à frente. “As prefeituras não estão olhando com a seriedade necessária para o futuro próximo. Teremos no próximo ano um aprofundamento dos problemas sociais. Em São Carlos, por exemplo, onde temos problemas graves no setor de saúde, este problema vai piorar e se somar a outros, na esfera social, da violência e no sub financiamento de políticas públicas, por exemplo”, avisa.

Segundo ele, os problemas vão se multiplicar. “Novos problemas vão surgir, com pessoas com deficiência, a falta de políticas públicas para idosos, pessoas em situação e rua e mulheres vítimas de violência. Se hoje, sem esta falta de recursos,  já vivemos este problemas, imagine num cenário com menos recursos e mais problemas”, pondera o especialista.

SEM AUMENTO DE IMPOSTOS

Rezende descarta a possiblidade de as gestões municipais tentarem compensar a perda de receita com o ICMS aumentando impostos municipais, como IPTU(Imposto sobre Propriedade Territorial e Urbana), ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Intervivos) e ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza).  “Os municípios já têm encontrado meios de majorar a arrecadação. Estaremos no penúltimo ano de governo, um ano antes das eleições municipais. Será um ano complicado para se aumentar alíquotas de impostos. Não acredito que esta alternativa seja viável”, conclui ele.

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