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“Consumidor precisará usar criatividade nas compras”, avisa pesquisador da Embrapa

Diante da alta nos preços, carnes bovinas de segunda, cortes suínos, aves e embutidos podem estar entre alternativas para churrascos de fina

09/12/2021 06h05 - Atualizado há 4 anos Publicado por: Redação
“Consumidor precisará usar criatividade nas compras”, avisa pesquisador da Embrapa Foto: Divulgação
Reportagem: Marco Rogério

No Natal de 2021 o brasileiro terá que lançar mão de sua já famosa criatividade para manter a tradição da ceia. A razão disso é que os preços dos produtos natalinos estão muito altos. “Mais do que nunca nós, brasileiros, teremos que ser criativos, pois os preços dos alimentos estão realmente muito altos”, alerta Silvio Crestana, pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

A substituição de carnes bovinas de primeira por carne de segunda ou mesmo a sua substituição por carnes suínas, como o tradicional pernil ou ainda asas de frango e embutidos, como linguiças, podem ser algumas das alternativas para se manter a tradição do churrasco natalino.

Crestana afirma que a boa notícia é que já não existe mais margem para grandes aumentos de preços neste mês de dezembro e que não deve faltar produto. Por outro lado, os produtores terão que reduzir ainda mais a margem de lucro, pois os custos de produção explodiram nos últimos meses.

A demanda aquecida, a taxa de câmbio atual que incentiva as exportações, além da alta de custos nos insumos, como defensivos, implementos agrícolas, sementes e outros impactam nos custos de produção. Segundo ele, ainda existem o  fenômeno climático La Niña, com impactos no Brasil e a alta do preço do petróleo e seus derivados.

De acordo como Crestana, Após a alta no consumo das carnes de segunda qualidade, como acém, ponta de peito, costela, músculo e outras, até mesmo as carnes de terceira, como pescoço de frango e pés de frango tiveram uma explosão na procura por parte dos consumidores para manter uma dieta à base de proteína.

O pesquisador destaca ainda que o relatório da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta um cenário positivo para 2022 com crescimento da produção e geração de empregos, mas com um lucro menor para o produtor rural.

A produção agrícola brasileira deve chegar a 289,8 milhões de toneladas na safra 2021/2022, um aumento de 14,7% em relação à safra anterior. A estimativa está no 2º Levantamento da Safra de Grãos 2021/2022, divulgado na manhã desta quinta-feira (11/11) pela Conab.

Com relação à área total cultivada, a estimativa para esta safra é de 71,8 milhões de hectares, um crescimento de 4,1% em relação à safra passada. Essa projeção inclui as culturas de primeira safra, semeadas entre agosto e dezembro deste ano, as de segunda safra, que vão ser plantadas entre janeiro e abril de 2022, e as culturas de terceira safra, semeadas entre meados de abril e junho do próximo ano.

Um dos destaques é o aumento na produção de soja, com crescimento de 3,5% na área a ser cultivada e estimativa de produção de 142 milhões de toneladas, o que mantém o país como o maior produtor e exportador mundial desse cereal.

Já a produção de milho, que foi severamente afetada por questões climáticas na safra anterior, deve registrar um volume de produção de 116,7 milhões de toneladas, aumento de 2,5% na área a ser cultivada na primeira safra.

Outro produto que registrou expansão da área semeada é o algodão, que vai ocupar uma área de 1,49 milhão de hectares, ampliação de 9,3%. A estimativa de produção é de 2,65 milhões de toneladas de pluma.

O boletim da Conab apresenta ainda crescimento de 0,3% na área a ser semeada de arroz e previsão de colheita de 11,5 milhões de toneladas. Já o feijão, a estimativa é que a produção total seja de 3,1 milhões de toneladas nas três safras.

No caso do trigo, a safra 2021 ainda está sendo colhida, com um volume de produção previsto atualmente em 7,68 milhões de toneladas.

ANÁLISE CLIMÁTICA

Segundo a Conab, outubro registrou elevados volumes de chuva chegando a ultrapassar a média em diversas localidades nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o que favorece o plantio. Cerca de 67% da safra 2021/2022 já está semeada. “Neste ano, as lavouras já estão seguindo seu calendário escalonado, diferente do atraso que ocorreu ano passado”, ressalta a superintendente de Informações da Agropecuária da Conab, Candice Santos.

EXPORTAÇÃO

A previsão da Conab é de que 84,42 milhões de toneladas de soja da safra 2021/2022 sejam vendidas no mercado internacional, aumento de 3,58% em relação a 2020. Já para o algodão, a estimativa é de que 2,1 milhões de toneladas da fibra seja exportada.

Para o milho, foi reduzida a estimativa de 20 milhões de toneladas exportadas para o ano safra, que vai de fevereiro de 2021 a janeiro de 2022.

PREÇOS

Em relação aos preços recebidos pelos produtores, o levantamento realizado pela Conab registrou as seguintes oscilações no mês de outubro, em comparação com o mês de setembro: diminuição de 4,4% nas cotações do arroz no RS; de 6,04% no feijão cores em SP; de 6,63% no feijão preto no PR; de 3,04% no milho no PR; redução de 0,51% no preço do trigo no PR; e ainda de 3% para a soja em MT. Por outro lado, as elevações de preços para os produtores foram de 0,92% na soja do PR, de 2,8% do milho no MT e de 10,98% nos preços do algodão em MT.

BOLETIM

Este é o 2º Levantamento da Safra de Grãos 2021/2022, realizado entre os dias 17 e 23 de outubro. Ao todo, são 12 levantamentos divulgados mensalmente pela Conab. O boletim traz o monitoramento das condições de desenvolvimento das principais culturas do país: algodão, amendoim, arroz, aveia, canola, centeio, cevada, feijão, girassol, mamona, milho, soja, sorgo, trigo e triticale. A soja e o milho correspondem a 90% da produção agrícola brasileira.

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